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Acordar a miúda com esta música faz com que as manhãs corram as mil maravilhas.

Naquela Linda Manhã

"Naquela linda manhã

estava a brincar no jardim

A certa altura a mamã

chamou-me e disse-me assim:

Não brinques só a correr

tropeças sem querer

cais e ficas mal

respondi pronto está bem

depressa porém

esqueci-me de tal...

Não me lembro depois como foi

Escorreguei caí no chão

No joelho ficou um dói dói

No nariz um arranhão

Desde então procurei ser melhor

por ser mau fui infeliz

faço agora tudo quanto a mamã me diz.”

Não sei se é pelo tom calmo, ou se pela frase maravilhosa que lhe vai entrando no cérebro logo pela manhã “faço agora tudo quanto a mamã me diz”.  O que eu sei, é que quando a acordo com esta música tudo é mais calmo e rápido.

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Andar de sandálias altas de cunha nas pedras da calçada é um autêntico exercício de malabarismo: como manter o equilíbrio sem esbardalhar-me no meio do chão.

 

 

 

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Coisas da miúda #15

por Ana, em 27.06.16

Miúda, falando para a televisão, enquanto está a dar futebol “mais para a esquerda, mais para esquerda”.

 

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VERBO SER

Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.”

Carlos Drummond de Andrade

 

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Mente de principiante

por Ana, em 23.06.16

Este momento é sempre fresco, sempre novo, nunca estivemos neste momento antes, e mesmo assim trazemos tantas idéias e atitudes e desejos para cada momento que não podemos nos permitir, na maioria das vezes, ver as coisas como se fosse a primeira vez”.

Jon Kabat-Zinn, Mindfulness e Mente de Principiante

Esta é uma das atitudes do mindfulness. Viver o momento, de forma consciente de que aquele momento é aquele momento e não outro qualquer.

As crianças já a têm (mas vão perdendo). Vivem tudo com um entusiamo típico da primeira vez. É por isso que são tão felizes quando vivenciam as experiências que as agrada.

Os adultos, “perdem-se” muitas vezes nos seus pensamentos. E são sempre influenciados, quer nas suas experiências, quer nas suas expectativas, por vários factores que deturpam essa mente de principiante - preconceitos, experiências, vivências, opiniões dos outros, etc.

Verdade seja dita, hoje em dia, é tão fácil encontrar informações sobre as coisas que vamos viver, que até já as vivemos antes de elas acontecerem. Se vamos de férias para algum lado, primeiro pesquisamos sobre o sítio, o que fazer, o que dizem as pessoas que lá estiveram, etc. (e o mesmo relativamente a um filme, um livro, um restaurante, seja o que for).

Não sei se seria capaz de viver sem estas informações todas. Aliás, sem esta necessidade constante de procurar antever tudo.

Mas, em consciência, sei que é sem dúvida uma forma mais saudável de viver.

 

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As vezes gostava de ter a vida do Malhão Malhão.

“Comer e beber, ai trim-tim-tim, passear na rua”

Mas não, é mais isto:

“Acordar e trabalhar, ai trim-tim-tim, e voltar para casa”

Ou:

“Ouvir e esquecer, ai trim-tim-tim, para não enlouquecer”

E mais ainda:

“Aparvalhar e rir, ai trim-tim-tim, para me divertir” e “Observar e escutar, ou trim-tim-tim para me distrair”

 

Fico por aqui, que isto já vai parvo o suficiente...

 

[Se quiserem aparvalhar um bocadinho, estão a vontade para sugerir as vossas]

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“Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver. A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, por outras palavras, o olhar do público. É o caso do cantor alemão e da estrela americana, como é também o caso do jornalista de queixo de rabeca. Estava habituado aos seus leitores, e quando o semanário foi proibido pelos russos teve a impressão de ficar com a atmosfera cem vezes mais rarefeita. Para ele, ninguém podia substituir os olhos anónimos. Sentia-se quase a sufocar, até que um dia percebeu que a polícia lhe seguia todos os passos, que o seu telefone estava sob escuta e que chegava a ser discretamente fotografado na rua. De repente, tinha outra vez olhos anónimos a acompanharem-no: já podia voltar a respirar! Interpelava num tom teatral os microfones escondidos na parede. Voltava a encontrar na polícia o público que julgava ter perdido para sempre.
Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares. São os incansáveis organizadores de jantares e de cocktails. São mais felizes que os da primeira categoria porque, quando estes perdem o público, imaginam que as luzes se apagaram para sempre na sala da sua vida. É o que, mais dia menos dia, lhes acontece a todos. Marie-Claude e a filha são deste género.
Vem em seguida a terceira categoria, a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. A sua condição é tão perigosa como a das pessoas do primeiro grupo. Se os olhos do ser amado se fecham, a sala fica mergulhada na escuridão. É neste tipo de pessoas que devemos incluir Tereza e Tomas.
Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes. São os sonhadores. Por exemplo, Franz. Foi até à fronteira cambojana unicamente por causa de Sabina. Dentro do autocarro, que a estrada tailandesa faz baloiçar violentamente, só sente o seu longo olhar poisado em si.”

A Insustentável Leveza do Ser | Autor: Kundera, Milan

 

É esta interdependência dos outros a maior característica do ser humano. É assim que vivemos em sociedade, sempre esperando pelo parecer do outro. Aceita, ou não aceita? Gosta ou não gosta?

Se pensarmos bem, a maior parte das nossas acções estão mais relacionadas em agradar os outros, no impacto que terão na vida dos outros, do que propriamente em nós. Mas não, pensamos que estamos a fazer aquilo por nós. E os outros, vão desde aqueles que nos estão mais próximos, aqueles que estão mais distantes - são os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amigos, os nossos colegas, aqueles que se cruzam connosco na rua, na fila do supermercado, que vão nos transportes.

Por isso às vezes não fazemos o que queremos (ou fazemos coisas que não queremos), com medo de ferir susceptibilidades, de magoarmos alguém, daquilo que irão pensar.

Confesso que cada vez me preocupo menos com isso, e procuro fazer aquilo que realmente quero. Mas é difícil. Porque vivemos muito próximos uns dos outros, e cada um de nós acaba por ser influenciado pelo todo onde está inserido. E depois, aqueles que conseguem esse desligamento, são considerados egoístas, insensíveis (já para não dizer outras coisas menos simpáticas).

Esta é a maior dificuldade: encontrar o meio termo (ou fazer aquilo que realmente queremos, e deitar para trás das costas o que os outros pensam?)

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Permitam-me um desabafo...

por Ana, em 21.06.16

Sabem aquela “raça” de pais que ficam a dizer adeus para o autocarro quando os seus menininhos vão para a praia?

ODEIO-OS.

Sim, porque graças a eles eu hoje sou também um desses “paizinhos”. E porquê? Porque ao fim de uma semana, a miúda perguntou-me “porque é que os pais dos meus amigos estão lá todos e tu não estás?"

E agora lá estou a acenar com o bracinho, a sorrir e a pensar “mas o que raio eu estou aqui a fazer????”

 

 

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“A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz.”

António Lobo Antunes

Tão isto...

 

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Sou o pesadelo da minha filha...

por Ana, em 17.06.16

A miúda chora durante a noite e percebi que era um pesadelo, pois nem acordou.

De manhã diz-me. “Sabes porque eu estava a chorar mãe?”

Então, entre todas as coisas que ela foi dizendo o que eu percebi foi: a mãe estava na televisão com um colar que tinha um lenço preto, a cantar uma música que teria na letra algo relacionado com perfume. Conclusão: a ideia de ver a mãe a cantar na televisão é algo muito tenebroso para a ela, de tal forma que mesmo a contar-me ainda lhe tremia a voz.

[Não, isto não aconteceu e nem vai acontecer. Fiquem descansadinhos]

 

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