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Brincadeiras de irmãos

por Cá coisas minhas, em 31.05.17

Uma vez que se celebra hoje o dia dos irmãos, faz todo o sentido recordar algumas das nossas vivências.

Lembrei-me de algumas peripécias que já vivemos, mas sinceramente falta-me a coragem para expor maior parte delas.

De qualquer das formas, lembro-me de algumas com um sorriso nos lábios.

Como por exemplo, de algumas das nossas brincadeiras.

Às escolas

No pátio da minha avó, já ao pé das hortas, havia um barracão com porta de alumínio (ou algo do género), onde era possível escrever a giz e apagar, e voltar a escrever. Então, eu que sempre gostei muito de fazer as coisas à minha maneira, era a professora e os meus irmãos os alunos. A minha avó tinha umas cadeirinhas pequeninas, onde costumava se sentar no pátio a conversar com as vizinhas, e nós usávamos essas cadeiras para os “alunos” se sentarem. Lembro-me de levar aquela brincadeira muito a sério, e de até criar testes para eles fazerem e eu depois corrigia os mesmos com caneta vermelha e tudo.

Ao carteiro

Eu escolhia um ponto no pátio, onde era a minha casa. A minha irmã escolhia outro ponto para ser a casa dela. E o meu irmão era o carteiro. Era só isto. Ele andava de um lado para o outro a levar-nos “cartas”.

Uma outra coisa que está muito gravada na minha mente, é uma “aventura” que eu e o meu irmão tivemos [ou então não].

A questão é que eu não tenho mesmo a certeza se foi um sonho ou se aconteceu mesmo. Sei que foi à muito tempo. A minha irmã (por circunstâncias que não vale a pena agora referir), passava muito tempo internada no Hospital D. Estefânia, e a minha mãe por conseguinte também. Nós podíamos estar com ela, na hora das visitas. Mas quando éramos mais pequenos, julgo que nem sequer podíamos entrar, porque me lembro de ser a minha mãe a sair cá para fora com a minha irmã, para a sala de espera, para podermos estar ali os três juntos. O que acontecia, é que quando eu e o meu irmão íamos, depois tínhamos de ficar lá na salinha de espera à espera (desculpem a redundância) da minha mãe, porque ela ficava o tempo todo que era possível ficar com a minha irmã.

Ora,  foi num desses dias que terá acontecido esta aventura. Tenho a ideia que encontramos por lá um rapazinho, que nos desafiou a ir com ele “explorar” o hospital. E lá andamos nós pelos corredores, salas e caminhos onde não era suposto estarmos. Às tantas, perdemo-nos e não sabíamos como voltar para o sítio onde deveríamos estar. Acabamos por conseguir encontrar o caminho e regressar ao sítio de onde nunca deveríamos ter saído.

Se isto realmente aconteceu, a minha mãe nunca chegou a saber. É por isso que isto anda aqui na minha memória de forma tão dúbia. Porque é muito caricato, 2 crianças com menos de 10 anos andarem por ali assim. É estranho.

 

[Quando me lembro destas coisas todas, e de mais e mais, chego sempre à conclusão que a melhor “coisa” que eu podia dar à minha filha era um irmão. Talvez, um dia.]

 

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Maio foi assim

por Cá coisas minhas, em 31.05.17

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E foi tão bom.

Recomeço? Não.

Vida, acima de tudo.

 

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Coisas da miúda #45

por Cá coisas minhas, em 30.05.17

Este fim de semana, foi fim de semana de “estreias”.

Primeira ida ao cinema ver "filme de meninos crescidos".

No ano passado já tinhamos estado num festival de cinema infantil no São Jorge. Julgava que ela já nem se lembrava, mas foi ela que tocou no assunto, quando eu lhe disse que vinha pela primeira vez ao cinema.

Fomos ver o filme “Bailarina”. Filme ideal para primeira vez (para ela, claro, que adora dança e música). As expressões dela enquanto assistia ao filme, a atenção dela, via-se mesmo que estava a gostar. Na pausa do filme, pediu-me para ir lá para baixo dançar. E lá foi. Até uma tentativa de espargata ela fez. E quando o filme terminou, lá foi outra vez. Foi um “trinta e um” para a tirar de lá.

Mas foi experiência completa. Com direito a um balde enorme de pipocas. Portou-se lindamente. Adorou a experiência.

Primeira vez que provou caracóis.

E não é que gostou? Bom, eu gosto de caracóis desde que me lembro.

Viu-nos a comer caracóis e disse que queria experimentar. Tirei o caracol para o palito e dei-lhe. Deu umas lambidelas, meio desconfiada e quando eu dei conta já o estava a mastigar. Surpreendente, porque ela é toda esquisitinha com coisas novas.

Ao terceiro, já dizia, “quero tirar sozinha como vocês”. Ensinamos. E depois de algumas tentativas, já os estava a comer sozinha. Comeu poucos, porque rapidamente ficou com os lábios a arder, segundo ela.

Mas pelos vistos, gostou.

 

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José

por Cá coisas minhas, em 26.05.17

Era o seu nome. Mas não era assim que era conhecido. “Zé Flamor”. Não sei o porquê, nem de onde veio a alcunha. Mas era assim que era conhecido. Um homem alto, e bem bonito, quando ainda era jovem. Já só o conheci velhote. O meu avô. Uma pessoa que se notava quando estava presente. Voz alta. Posição altiva. Muito amigo. A gostar de participar em eventos sociais e familiares, mas de preferência em posição de liderança, mesmo quando não organizado por ele, no espaço dele. Falava muito. Tinha inúmeras histórias para contar. Não sei se eram todas verdadeiras. Deixava-me a mim e aos meus irmãos comer gelados. Mas dos baratinhos. As vezes pedíamos-lhe um corneto. Não me lembro se alguma vez deixou. Levava-nos a comer caracóis ao Alves. Uma garrafinha de sumol de laranja para os três (eu, e os meus irmãos). Era “chatinho” com a horta e com os animais. Pedia-nos ajuda, mas aquilo era quase uma ordem. Nós éramos pequeninos, e cabíamos no galinheiro, podíamos limpar. Fez-me passear por Odivelas, com uma ovelha e um borrego [A Boneca e o Chico]. Andava a pastorear e nós íamos com ele. [Eu detestava aquilo, e morria de vergonha de que algum colega da escola me visse]. Pior. Fez-nos ganhar afectos aos bichos, e um dia matou-os para serem comidos. Ainda me lembro de entrar no barracão e ver os animais mortos, cortados e pendurados. Ia connosco ao parque dos bombeiros, porque a minha irmã era mais nova e não tinha idade para entrar sem adulto. Dava o colo para escondermos a cara, quando jogávamos a escondidas e ajudava os outros dois com esconderijos. Ria-se sempre nestes momentos. Ralhava connosco a hora de almoço, porque fazíamos muito barulho e não o deixávamos ver as notícias. Via o jogo de futebol na tv e ao mesmo tempo ouvia o relato na telefonia. Adormecia enquanto isto acontecia, e quando eu ia mudar de canal, acordava. Falava sozinho, muitas vezes. Era “pica-miolos”, com os outros, porque ele tinha sempre razão. Comprou-me um pc, quando eu ainda nem sabia o que era um pc. Ao serão, queria que eu jogasse as cartas com ele. Ou ao dominó. As vezes não me apetecia, mas joguei sempre. As 6ª feiras, amuava comigo quando eu não lhe fazia o totoloto. Ouvia a grelha do totobola que eu lhe lia, e dizia 1, ou X ou 2 [ele não sabia ler]. Todas as manhãs, bem cedinho, ligava a telefonia ainda na cama e ouvia o António Sala. Eu acordava sempre com aquele barulho de fundo. Queria muito que eu fosse “alguém na vida”, que estudasse. Ele já não ficou cá para ver, mas eu tentei sempre fazer por isso.

Já se foi embora a mais de 20 anos. E só esteve comigo 17. Mas o impacto que teve na minha vida, esse é marcante e inesquecível. Saudades.

 

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...

por Cá coisas minhas, em 26.05.17

[Depois de chegar à conclusão que andava a brincar às corridas, resolvi começar a correr mais depressa. E JESUS…. Agora é que eu fico toda partidinha]

 

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E esta praia?

por Cá coisas minhas, em 25.05.17

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É a minha.

Este ano nem quero outra. Este sossego é ouro.



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...

por Cá coisas minhas, em 24.05.17

Tenho por norma um ar sério. Há quem diga que antipático. Não desminto. Não dou “confianças” assim sem mais nem menos. Mas conforme vou conhecendo as pessoas, conforme vou sentindo que elas merecem a minha simpatia [vejam só a presunção, hã] começo a revelar outra pessoa, e “desbobino” assim algumas parvoíces. Por vezes acontece-me que as pessoas fiquem assim meio parvas a olhar para mim. Julgam-me maluca, provavelmente. Provavelmente sou mesmo. Tenho uma mente muito a mil à hora, apesar de transparecer uma postura calma. É por isso que as vezes me saem assim umas coisas meio doidas. Doidas, claramente só para quem as ouve assim de repente. Porque na minha mente têm toda uma lógica.

[Este post é um pouco louco, eu sei. Foi uma constatação que me veio assim à cabeça, depois de duas situações caricatas que já vivi hoje]

 

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Foi uma "rapidinha"

por Cá coisas minhas, em 24.05.17

5 km, em menos de 30 minutos: Done.

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Fiquei foi assim um bocado com os bofes de fora.

Mas consegui aumentar a velocidade.

Passei de um ritmo médio de 7:20/km para 5:53/Km.

 

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Há passado que gostava de ter no presente

por Cá coisas minhas, em 23.05.17

Foi durante o ensino secundário que criei grande parte dos meus laços de amizade. Laços que julguei que ficariam para sempre. Afinal não ficaram. Quer dizer, eles ficaram. Porque o sentimento está lá. Mas a vivência desses laços foi-se dissipando. E não foi a chegada à vida adulta que fez isso. Porque eles foram ficando, mesmo depois disso. Foi a vida de cada um de nós que nos afastou. Cada um foi viver para um sítio diferente. Cada um foi trabalhar para um sítio diferente. E se antes de casarmos e/ou termos filhos, ainda conseguíamos manter isso, com os casamentos, com os filhos, com todos os compromissos pessoais e profissionais com que vamos enchendo as nossas agendas, o tempo para estarmos uns com os outros foi escasseando. Porque deixamos de definir isso como prioritário.

 

Confesso que sinto falta. Mas confesso também que nada faço para alterar isso. Porque lá está, estou sempre a adiar, face a tudo aquilo que vou definindo como prioritário.

 

No entanto, algum contacto vai surgindo. Seja pelas conversas on-line, seja por telefone. [Há uma dessas pessoas, que contraria essa tendência. E que me liga de vez em quando. E que não “cobra” a falta de notícias. É por isso que gosto tanto dele, e acho que este sim, vai ficar para sempre] E é quando surgem estes momentos, que me esqueço que já tenho mais de 35 anos, um trabalho, um marido, uma filha, uma casa para gerir. E me lembro de quando éramos só nós todos. Das coisas que fazíamos. Daquilo que nos fazia rir. Dos fins de semana prolongados que fazíamos questão em marcar juntos. Mas o que gosto mesmo é de me sentir assim, mas a partilhar o presente.

 

Tenho efectivamente muita pena, que não seja possível vivermos a vida de agora, uns com os outros. E não falo de encontros sazonais, porque o que se faz nesses encontros é reviver o passado. Gostava mesmo de tê-los ainda aqui no meu dia a dia. Saber das coisas deles, partilhar as minhas coisas.

 

Ainda o consigo fazer com um. Gostaria de o fazer com pelo menos mais três. Mas pronto, a vida é assim. E não há culpados aqui. Todos nós temos feito as nossas opções. E eu sei, que o casulo onde me meto às vezes, é difícil de lá conseguir entrar.

 

[Nem preciso de dizer nomes. Porque se este post for lido por algum de vós, claramente perceberá de quem eu falo. E não são reclamações. São constatações]

 

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Cegonha | Carlos Paião

por Cá coisas minhas, em 23.05.17

Esta música é assim qualquer coisa de deliciosa.

 

Olá cegonha, gosto de ti!
Há quanto tempo, te não via por aí!
Nem teus ninhos nos telhados,
Nem as asas pelo céu!
Olá cegonha! Que aconteceu?

Ainda me lembro de ouvir-te dizer,
Que tu de longe os bebês vinhas trazer!
Mas os homens vão crescendo,
E as cegonhas a morrer!
Ainda me lembro...não pode ser!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha...é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado!
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!

Adeus cegonha, adeus lembranças...
A gente sonha, como crianças!
Faz outro ninho, nos altos céus!
Vai de mansinho, mas pelo caminho, diz-nos adeus!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado...
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!
Leva o menino... mas tem cuidado!

 

 Podem ouvir aqui.

 

[As vezes, sobretudo agora ao observar a minha filha, tenho vontade de voltar a ser assim - pequenina, com sonhos, com tanto caminho ainda pela frente, com tudo na vida ainda por escrever. Mas só as vezes, depois passa. Como diz o outro: “o caminho faz-se caminhando”]



 

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