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Em outubro de 2016 mudámos para o campo. Para uma casa pequenina, já velhinha e vazia.

Quando lá cheguei, estava apreensiva.

Sem saber bem se tinha sido uma boa ideia.

Ficar a viver no sítio onde estávamos estava fora de questão (vivíamos os três num T1). As rendas dos apartamentos na zona onde vivíamos estavam altíssimas. Começamos a alargar a nossa escolha a sítios mais afastados do centro urbano. E foi aí que encontramos esta casa, nesta aldeia pequenina, pequenina.

 

A viver na aldeia à cerca de um ano, julgo estar em condições de fazer uma análise comparativa. Atenção, segundo a minha experiência, a minha realidade.

 

Pois comecemos primeiro pela parte mais chatinha.

As desvantagens.

Gasto mais tempo em deslocações diárias de carro.
Gasto mais dinheiro em combustível e portagens.
Se quiser ir às compras tenho sempre que ir de carro.
Quando não tenho carro, fico mais “presa”.
Há mais humidade.
No Inverno, as temperaturas são muito baixas.

Estou mais longe da família, o que me faz estar menos vezes com eles.

O hipermercado está mais longe e os centros comerciais também.

Estou pouco tempo em casa, durante a semana.

 


E agora as coisas boas.
As vantagens.
Posso correr em percursos mais planos, limpos e sossegados.
Estou mais perto da praia.
Estou no campo.

A miúda pode brincar na rua, em casa, na casa de vizinhos, no parque.
A roupa seca ao ar livre, com muito sol e vento.
A vista é mais ampla.

Há mais silêncio.

Como mais fruta e mais legumes, e estes são mais frescos, saborosos e saudáveis.

Estou mais perto de uns sítios giros que têm umas coisinhas doces que adoro.

Tenho mais espaço.

Estou mais perto de sítios giros para passear, que não passem necessariamente por grandes superfícies comerciais.

Vivo mais o fim de semana.

 

 

Obviamente que se pensar durante mais tempo, vou encontrar mais itens tanto de um lado como do outro.

No entanto, o balanço que faço é: foi a melhor decisão da nossa vida. O que ganhamos (os três) com esta mudança, supera completamente os aspetos menos positivos.

Apesar de já ter passado um ano, ainda nos estamos a adaptar. Aos poucos, temos vindo a ajustar a nossa realidade a esta realidade. Assim, vamos conseguindo reduzir o impacto das desvantagens e aproveitando ao máximo as vantagens.

 

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Horas - o que fazemos com elas

por Ana, em 15.11.17

O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto o tempo tempo tem

 

E eu, ponho-me a pensar “realmente, o tempo é aquilo que nós fazemos com ele”.

Sim, de facto 1 hora tem 60 minutos. Para todos. Sempre. E em qualquer lugar.

No entanto, aquilo que cada um de nós consegue fazer em 1h varia. E muito.

Por isso, as horas são aquilo que nós fazemos delas.

 

Fiz em exercício rápido sobre o modo como gasto as minhas horas. E não gostei.

Ora vejamos.

 

  • 1h - Correr
  • 1h - Tomar banho. Vestir. Acordar a miúda. Ajuda-la a vestir. Fazer o pequeno almoço. Comer. Sair de casa.
  • 1h30 - Carro: deixar marido no trabalho. Deixar miúda na escola. Chegar ao trabalho
  • 8h30 - Trabalho: no qual se inclui 1h30 de almoço, a maior parte das vezes no local de trabalho
  • 1h30 - Carro: Chegar à escola da miúda. Chegar ao trabalho do marido. Chegar a casa
  • 1h - Dar uma geral na casa. Preparar jantar. Banho da miúda.
  • 1h - Jantar. Arrumar Cozinha. Deitar miúda.
  • 1h a 2h - Sofá a ver tv. As vezes, ler.  Na maior parte das vezes, adormeço.
  • 6h a 7h - Dormir

 

Façam lá vocês este exercício e digam-me a que conclusões chegam.

A minha: Isto é deprimente. Sou uma refém das horas.

O tempo é um recurso escasso.

E nós gastamos muito tempo, sempre nas mesmas coisas. Temos que ser muito criativos para o conseguir aproveitar da melhor forma.

 

Tenho alguns hábitos que fui adquirindo, por forma a conseguir ganhar mais tempo.

Aproveito o tempo no trânsito para: refletir sobre coisas da vida, ouvir música alto e cantar, falar muitas vezes comigo própria, por a conversa em dia com a minha irmã (por telefone).

Aproveito às vezes a hora de almoço, para fazer compras.

Tive que começar a madrugar, para conseguir fazer algum exercício físico.

Procuro ir fazendo algumas tarefas de casa, durante a semana, para ganhar tempo no fim de semana.

 

De qualquer das formas, quando paro pensar na forma como ando a “gastar” o meu tempo, não fico totalmente satisfeita.

 

E vocês? Quanto tempo têm as vossas horas?

 

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Coisas da miúda #56

por Ana, em 14.11.17

No sábado de manhã, chego a casa depois da minha corrida e a miúda estava no seu quarto a brincar.

"Então, M., tudo bem?"

"Sim, estive a fazer ali uma obra de arte?"

"Ai, sim? Então?" [Nada pretensioso]

"Escrevi que sou uma princesa".

????

"Olha".

[E mostra-me]

IMG_20171111_094451.jpg

Passo a explicar: por cima da cama dela, tem uma faixa que diz "I am a princess". E ela copiou. Como não havia mais espaço á frente, passou para baixo, da direita para a esquerda e da esquerda para a direito na terceira linha.

Está encantada com a escrita. Pede-me várias vezes para eu escrever uma determinada palavra que ela queira, e depois "copia".

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Mais sobre mim

por Ana, em 14.11.17

Esta semana destaco mais algumas características minhas. Podem ser defeitos. Podem ser qualidades. Depende da forma como olhamos para elas.

 

  1. Falta-me muitas vezes “olhar para o futuro”.

Concentro-me no presente.

No que tenho agora. No que quero manter. No que quero mandar embora.

Aflige-me muitas vezes não saber o que aí vem.

Quando não sei o que aí vem. Penso. Perspectivo. Imagino. Procuro. Preciso de um plano. Real. Concreto. Do que possa vir.

Mas detesto lidar com a incerteza.

 

  1. Detesto que fiquem com uma má impressão da minha pessoa.

Procuro fazer tudo bem. Tudo de acordo com aquilo que é exigido. De acordo com aquilo que se pretende que seja o correcto. Para mim, e para os outros.

E quando falho. Quando erro. Custa-me. Dói-me. Sinto-me uma má pessoa. E doi-me a sério que os outros o saibam. Que me avaliem por “aquilo”. Que me considerem o “tipo” de pessoa que faz “aquilo”.

Tantas vezes um erro determina tudo. E por isso me custa tanto errar.

 

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Alguém entende isto?

por Ana, em 13.11.17

IMG_20171111_163741.jpg

Como é que se explica que a um sumo de laranja natural seja aplicado um IVA de 23% e a um bolo de 13%?

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Recomeçar

por Ana, em 13.11.17

Onde é que eu fiquei na sexta_.jpg

 

Todas as segundas-feiras são dias de recomeço.

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Porque é que eu corro?

por Ana, em 11.11.17

Porque preciso de fazer exercício físico

Porque gosto da sensação de superação

Porque sou eu que defino quando o quero fazer e como o quero fazer

Porque fico muito satisfeita quando consigo um novo record pessoal

Porque o faço sozinha

Porque quando corro, me foco apenas em mim

Porque gosto de definir objectivos e de ser capaz de os alcançar

Porque gosto da paisagem que há minha volta

Porque gosto do silêncio que consigo “criar”

Porque fico orgulhosa quando os outros elogiam a minha atitude

Porque gosto da sensação de estar a ser capaz de algo, que muitos (inclusive eu própria) julgavam não ser capaz

Porque correr, faz-me preocupar mais com aquilo que como

Porque fico mais bem humorada nos dias em que corro de manhã

Porque gosto

Porque me motiva

Porque sim.

 

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Se eu fosse uma super mulher...

por Ana, em 10.11.17

Usava os meus poderes para pôr o meu carro “mais magrinho” e passar por entre todos os bocadinhos das filas de trânsito, para chegar mais depressa na hora de ponta.

Quando o despertador tocasse, conseguia por o tempo para trás e dormir mais umas horas.

Usava o controlo da mente para fazer com que a minha filha fosse tomar banho, sem que eu tivesse que gritar dizer 10 vezes para ela o fazer.

Carregava num botão no meu relógio e deixava de ouvir as merdas aquilo que alguém estava a dizer e não me apetecia ouvir.

Fazia o tempo parar sempre que me apetecesse, apenas e só porque sim.

Usava os meus poderes para me transformar numa “super doceira” e fazer umas sobremesas lindas e deliciosas, sempre que tinha visitas lá em casa.

Tornava-me numa mulher supersónica e conseguia arrumar a casa em 30 minutos.

Criava uma máquina de passar a ferro que bastava pôr lá a roupa e ela saía já engomada e dobrada.

Tinha um botão “acelerador de tempo”, para fazer com que o tempo passasse mais depressa em partes do meu dia.

Saía de casa todos os dias com um cabelo impecável, roupa impecável, maquilhagem, unhas, etc. Mais, conseguia fazer isto tudo em 5 minutos.

 

Mas como não sou uma super mulher, sou só aquilo que consigo ser.

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Hoje é 5ª feira...

por Ana, em 09.11.17

... e à 5ª feira, gosto de começar a pensar no fim de semana.

Do que vou fazer.

Do que está por fazer.

No entanto, hoje constatei que HOJE É 5ª FEIRA.

E todas as tarefas que eu devia ir fazendo durante a semana, para conseguir um fim de semana mais tranquilo, ESTÃO POR FAZER.

Fazes hoje”.

Não faço nada.

Porque entretanto, o cérebro pensa “já é 5ª feira...

 

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Já tive medo de conduzir.

Muito medo.

A minha história com a condução é longa e “de doidos”.

 

Comecei a tirar a carta de condução no último ano do meu curso. Queria despachar ambas as coisas ao mesmo tempo.

Com o código, tudo OK.

 

As aulas de condução fiz no inverno. E com um instrutor que não me transmitia segurança nenhuma. Ia fazendo palavras cruzadas e de vez em quando proferia “ai Ana, Ana”. Muito bom, hã.

Ao fim das aulas obrigatórias, sugeriu que eu devia fazer mais 10. E eu fiz, claro.

 

Fiz exame de condução no dia 26 de Dezembro de 2001. Eu e outra senhora. O instrutor pediu-me que deixasse a outra senhora fazer o exame primeiro, pois já era repetente. Deixei. [O que me irrita, pois gosto de despachar logo o que há a despachar]. A outra senhora concluiu e passou. Fiz o exame de condução. Durante uma das manobras, atrapalhei-me lá com qualquer coisa. O MEU instrutor diz “É mesmo coisas à Ana”. O examinador disse-me apenas “Pare. O que quer fazer?” Eu parei. Pensei e fiz bem. Conclui o exame e passei.

 

Sem dinheiro para comprar carro. Sem pais com carro. Nunca mais conduzi desde esse dia.

 

Comprei carro em Setembro do ano 2003. Fiz uns treinos com amigos. Fiz uns treinos com irmão. Não conseguia conduzir sozinha.

Fiz aulas de condução para treino em Outubro de 2003. 5 aulas.

Não consegui na mesma conduzir sozinha.

E desisti.

 

Tinha um carro. Mas não o conduzia.

 

Em Junho de 2008 passei por uma crise pessoal chatinha. Que me deixou ir abaixo. E de repente senti que tinha que fazer algo por mim. Mas algo assim "á séria".

 

Fiz 10 aulas de condução. Com um instrutor espectacular. Que percebeu logo qual era o meu problema - falta de confiança.

E comecei a conduzir.

E já não parei mais.

A sensação de liberdade e superação que aquilo que me fazia sentir, fez-me sair daquela crise pessoal e sentir-me uma pessoa espectacular.

Ao início, ainda com muitos nervos. Planeava bem os caminhos, percursos para onde queria ir.

 

É verdade que mesmo hoje, há sítios e percursos que evito. Manobras que não gosto de fazer.

Mas vou a todo o lado onde preciso de ir.

Não vou mentir e dizer que “adoro conduzir”.

Mas gosto sobretudo de saber que superei o meu medo e fiz o que era preciso fazer.

 

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