Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A Ditadura das Horas [e das rotinas]

por Cá coisas minhas, em 12.01.17

Desde que a miúda entrou na minha vida que a ditadura das horas se instalou em mim.

 

Logo desde o início. Via a que horas ela acabava de mamar, para ver a que horas era a próxima. Via as horas a que ela adormecia. As horas a que ela acordava, para contar quantas horas dormia.

 

Depois, quando começou a fazer refeições e a dormir menos por dia, passei a ser muita rígida com a hora das refeições e da sesta. Porque tinha que ir dormir as horas X e tinha que a acordar a horas y. Porque se acordava depois da hora X, não a conseguia que ela a noite adormecesse a hora z. E todas as refeições que fazia, tinham hora marcada. E a muda da fralda, também já estava ajustada a cada uma das rotinas. Tudo com hora marcada. Até quando não estava com ela, eu fazia o “interrogatório” por telefone.

 

Enfim, isto era uma estafa. E mesmo agora, que parece que já foi a séculos, pergunto-me como aguentava eu tal coisa. O homem limitava-se a perguntar “mas que raio de fixação tens tu com as horas????”  [Homens…]

 

Depois ela passou a informar quando queria comer. O que facilitou os horários. Tirando almoço e jantar, claro está, por causa das rotinas do sono.

 

Depois a fralda também se foi embora, pelo que a hora do xixi e do cocó também foi desaparecendo.

 

Mas a libertação total aconteceu quando ela deixou de dormir a sesta [Ou melhor, quando ela decidiu que não queria dormir mais a sesta]. E agora dou por mim muito mais tranquila ao fim de semana. A rotina do final do dia, continua um pouco rígida, principalmente durante a semana, porque senão de manhã para se levantar é MUITO complicado.

Quando ela era ainda bebé, lembro-me de conversar com uma amiga minha (já com dois rapazes mais crescidos) e ela dizer “tudo melhora quando eles largam a fralda e pedem comida”. Como te entendo agora S.

Este sufoco da hora marcada para tudo, torna-nos mais livres a todos. E eu passei a ser menos “chatinha” - é uma coisa a menos para “ralhar”.

 

Mas não me arrependo de o ter feito. Continuo a achar que é uma questão essencial para o desenvolvimento das crianças - as rotinas. Foi também através do estabelecimento destas rotinas, que a autonomia dela se foi desenvolvendo. Um exemplo claro, são as noites. Eu até podia, no desespero da noite levá-la para a nossa cama, mas assim que adormecia voltava para a cama dela. Mais velha, podia demorar mais de uma hora a adormecer, mas adormecia sempre na cama dela. Podia levantar-se a meio da noite e ir ter a nossa cama (às vezes fazia isto durante várias horas da madrugada] que eu levava de volta para a cama dela. As noites eram complicadas. Mas agora adormece sozinha e dorme toda a noite [salvo raras excepções]

 

Educar crianças autónomas não é fácil. É um trabalho longo e muitas vezes desgastante. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Mas comparando a minha vida à cerca de um ano, com aquilo que está agora, sinto que estou a fazer um bom trabalho. Porque ao fim e ao cabo, foi o desenvolvimento dessa autonomia nela, que faz com que agora ela esteja menos dependente de mim, e assim eu já posso viver a libertação das horas de pernas estendidas e comando na mão. Nem sempre, mas às vezes, vá.

[Agora o stress é de manhã para sair de casa. Mas isso já é outra história]

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Imagem de perfil

De a mãe dos PP's a 12.01.2017 às 15:20

mas mãe sem stress não é a mesma coisa
Imagem de perfil

De Cá coisas minhas a 12.01.2017 às 15:22

O stress nunca desaparece. . Mas posso fingir que ele não está lá.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Links

  •  

  • Blogs de Portugal