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O contraditório às vezes é a solução

por Cá coisas minhas, em 09.01.17

Ontem, no meio da minha dinâmica familiar, apercebi-me que a solução é algumas vezes muito mais fácil do que parece.

 

A miúda, fazia mais uma daquelas suas birras que estão cada vez melhores. Queria algo que era realmente para mim impossível dar-lhe. E dizia, “oh mãe, por favor”. [Queria brincar com a neta de uns vizinhos, que pura e simplesmente não estava cá, pelo que não havia nada que eu pudesse fazer].

 

Eu a engomar roupa. [Que é sem sombra de dúvida, a tarefa doméstica que me deixa mais mal disposta. Isso e tudo relacionado com tratar de roupa, de resto]. E ela ali, naquela lamúria, que de vez em quando subia o tom e passava aos gritos.

 

Primeiro, ignorei. Depois aquilo começou a entrar nos meus ouvidos, e “passei-me”. Levei-a para o quarto, para que chorasse até lhe passar. Pois, mas isso agora é mais difícil, porque ela gosta que eu VEJA bem a sua birra, e voltou para ao pé de mim. Eu já em “ponto de rebuçado”, respirei fundo e pensei - ou tenho aqui uma daquelas cenas com ela em que ela percebe que tem que parar com aquilo, ou ignoro. Desta vez, resolvi ignorar. E ela lá ficou, naquele espetáculo.

 

Às tantas apercebe-mo do cenário onde eu estava: domingo a tarde, a engomar roupa e a ouvir e ver uma birra. Podia ficar deprimida, irritada, passada. Tinha direito a isso tudo. Mas o que surgiu em mim?

 

Uma valente gargalhada.

 

E ela, ás tantas, surpreendida com a minha atitude, começa a rir-se também. Inicialmente, num misto de lágrimas a cair e gargalhadas meio contrariadas, mas depois a rir-se também. Fui ter com ela, fiz-lhe cócegas. Dei-lhe um abraço. E passou.

 

Poderia agora escrever uma conclusão, dizendo que esta é realmente a maneira mais fácil de resolver “aquilo”. Mas não é. Eu sei que não é. Estamos a passar uma fase complicada, e a única certeza que eu tenho é que nunca sei como vou lidar com aquilo - às vezes ralho, outras vezes remeto-me ao silêncio, outras vezes dou mimos, e outras vezes rio-me. [Na maior parte das vezes, a birra dura tanto tempo, que eu passo por todas estas fases]. O que eu sei, é que a maneira como nós pais lidamos com isto, há-de determinar e muito, a gestão da frustração por ela própria. E isso, sim, é realmente uma prova de fogo.

 

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