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A aldeia onde eu vivo #11

por Cá coisas minhas, em 20.06.17

A pessoa vai viver para a aldeia e pensa: “olha boa, está calor e aqui posso dormir com a janela aberta, já não há barulho e confusão de carros”.

Pois, mas não.

Quando estava quase quase a adormecer, eis que sou interrompida pelo voz de um dos vizinhos a falar com um gato [Aparentemente o senhor não conseguia dormir com o calor e vai daí vai para o quintal falar com animais. Tudo normal]

Das duas uma, calou-se ou eu consegui adormecer.

Mas depois, começa [ainda não percebi bem como] uma tempestade daquelas valentes. Vento a soprar para todo o lado. Chuva a cair.

Ok. Lá adormeço outra vez.

Adivinhem?

Acordo outra vez.

Desta vez era o camião de recolha de lixo.

E quando este se vai embora, uma barulheira por causa do vento.

Desisto. Passado duas horas de me deitar, levanto-me e fecho a janela.

 

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A aldeia onde eu vivo #10

por Cá coisas minhas, em 12.06.17

Pois que ontem na aldeia, houve procissão.

E não é que a miúda se meteu lá no meio com as outras crianças e foi NA procissão? Pois foi mesmo.

Quando chegamos, pensei logo que não tínhamos íamos vestidas para a ocasião.

Toda a gente vestida a rigor e eu a pensar “será que vá a casa mudar de roupa?

Não fui. Ficamos por ali.

De repente, a criança desaparece-me da vista e surge de mão dada com uma série de crianças. Fui informada que eram as crianças que iam na procissão com os bolinhos. “Eu quero ir mãe.”

E lá foi.

E eu também tive que ir.

 

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A aldeia onde eu vivo #09

por Cá coisas minhas, em 17.04.17

Viver na aldeia é muito bom. Já o disse aqui várias vezes.

Mas…

Só porque tenho carro.

O meu pregou-me uma partida e estive 2 dias à espera dele.

A sensação que se está presa é sufocante. Até podia nem querer ir a lado nenhum, mas só por saber que não podia ir, ui…

Então mas e não há transportes públicos?

Sim. 3 vezes ao dia. Se não te despachas a tempo daquele, só daí a 4h.

Então, e chamar um táxi?

Pois, mas e táxis a quererem lá ir? Estive mais de 1h a ligar para a central de táxis. [E lá consegui]

E isso leva-me novamente à velha questão. Porque insistem em afastar as pessoas? É que aquilo não é longe. É perto. Só é longe a pé.

E quem não tem carro? Como é que se desloca? Pois, não sei. Mas isto faz-me uma confusão tremenda.

Mas uma coisa que reparei, é que o que prevalece é um grande espírito de entreajuda. Porque, da oficina para casa, uma funcionária da oficina levou-me a casa. E se não conseguisse táxi para o ir buscar de volta, já tinha um vizinho a dizer que me levava lá.

 

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A aldeia onde eu vivo #08

por Cá coisas minhas, em 05.04.17

Fui a uma feira lá perto. Comprei vários legumes e frutas numa das barraquinhas.

No final a senhora dá-me a conta.

IMG_20170404_100835.jpg

Isto é uma relíquia. Já não via “talões” de compras assim HÁ MUITO TEMPO.

 

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A aldeia onde eu vivo #07

por Cá coisas minhas, em 21.03.17

Sábado, final da manhã. Ir a pé até ao parque e pelo caminho de volta para casa apanhar flores.

"Podíamos fazer um raminho", diz a miúda.

E fizemos.

IMG_20170318_125756.jpg

 

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A aldeia onde eu vivo #06

por Cá coisas minhas, em 17.02.17

Na aldeia sente-se mais o Inverno. Os dias negros, chuvosos, são silenciosos. Não se vê ninguém. Não se ouve nada - só chuva e vento. Assim que a chuva para, surgem grupos de pessoas. À espera de uma trégua na chuva para irem conversar. Tudo é pretexto para dois dedos de conversa. A viver na aldeia, passei a dar outro significado aos dias de sol. Ao sol de Inverno. As casa ficam cheias de luz. Na rua, há sons - vozes, risos de crianças, cães a ladrar para as pessoas que passam. Os estendais ficam cheios de roupa. As portas abertas.

Na aldeia, os dias de chuva são escuros e de solidão.

Na aldeia, os dias de sol vêm cheios de energia e de coisas positivas.

 

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A aldeia onde eu vivo #05

por Cá coisas minhas, em 05.01.17

Na aldeia onde eu vivo, as senhoras fazem zaragatas.

É engraçado voltar a vivenciar estas situações. Grande parte da minha vida (até ao início da idade adulta) foi passada num pátio. Os meus avós viviam num pátio, e eu vivia com eles. Por isso, “questões” entre vizinhas é algo que me é familiar.

Por ali, os motivos das zangas são os cães. Ora porque o teu está solto e o meu também está e vai ali e vais ver o que o meu lhe faz, devias ter o teu preso. Ora porque o teu cão veio fazer xixi nas minhas plantas e queima as plantas todas. Ora porque não sei quê, não sei que mais. Seja porque motivo for, lá se chateiam e a discussão fica bem acesa.

No pátio da minha avó, as discussões eram muitas vezes por causa dos miúdos. E de bolas, que entravam no quintal onde não deviam, e a bola desaparecia. Pois a minha avó, era senhora de lá ir buscar a bola e levar a frente quem a tentasse contrariar. Passado umas semanas, já estava tudo Ok outra vez. E julgo que por alí, não há-de ser muito diferente.

[Eu, que me perco nos pensamentos a observar os outros, acho realmente “graça” a estas situações.]

Ao fim e ao cabo, a questão é sempre a mesma. A defesa do espaço. Que, com o tempo (e/ou com a idade) se vai dando cada vez mais valor.

 

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A aldeia onde eu vivo #03

por Cá coisas minhas, em 02.11.16

IMG_20161101_114942.jpg

Este foi o resultado do primeiro “pão por Deus” da miúda.

Vou engraçado, recordar essa tradição tão antiga, que havia na minha zona. Fiquei contente de saber que por ali ainda se faz.

As pessoas preparam-se mesmo para a chegada das crianças, organizando pequenos saquinhos com doces, broas, bolachas, bolos, rebuçados, e tantas coisas mais.

As crianças andam de casa em casa e são sempre recebidas com um sorriso e uma alegria que contagia.

Foi um belo feriado, sem dúvida.

 

 

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A aldeia onde eu vivo #02

por Cá coisas minhas, em 27.10.16

Decidi ir viver para o campo. Longe da confusão. Certo. Uma aldeia pequenina, certo. Que não tem nada. Certo.

Mas perto de tudo. No distrito de Lisboa. A poucos km (8, vá 10 no máximo) de outras cidades, com centros comerciais e lojas, e hipermercados e essas coisas todas.

Portanto, como é que é possível não haver nenhum hipermercado e/ou loja online de entrega em casa, que faça ali entregas??? Como é que isto é possível no ano de 2016??? E não estamos a falar de uma aldeia no interior de Portugal (sendo que nem nesses casos, é admissível que tal coisa continue a acontecer). Estamos a falar dos “arredores de Lisboa”.

Ora não faria mais sentido, ser precisamente nestes sítios, onde as pessoas não conseguem ter acesso a tudo, que estas entregas deveriam existir mais? Será que estes senhores ainda acham que por ali só vivem velhos, que não querem saber destas “modernices”? Ficará assim tão mais cara a deslocação?

Não sei. Por acaso não me posso queixar, porque tenho carro e desloco-me com facilidade. Mas não deixa de ser um serviço que é prático, útil e cómodo, e que gostava de continuar a usufruir.

Enfim. Sou eu que sou esquisita, não é? “Rapariga da cidade que vai viver para o campo, e que está agora armada em “saloia” para uns e “cheia de modernices” para outros”.

 

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A aldeia onde eu vivo #01

por Cá coisas minhas, em 11.10.16

A aldeia onde eu vivo, só tem um café. Não tem mercearia, nem cabeleireiro, nem papelaria.

 

Mas na aldeia onde eu vivo consigo ver o sol a nascer. Consigo ver o sol a pôr-se.

 

Na aldeia onde eu vivo há animais. Há estendais de roupa cheios, todo o dia. Senhoras a sacudirem tapetes.

Não há prédios. Há casas baixinhas. Há espaço.

 

Há pessoas. Há caras com nomes, com casas.

 

Na aldeia onde eu vivo, a miúda pode brincar ao macaquinho do chinês, pode regar as plantas e passear com “as filhas” no quintal. Pode brincar ao elástico, ao rei manda e fazer bolinhas de sabão.

 

A aldeia onde eu vivo é pequenina. É perto, mas longe o suficiente. É grande, na felicidade que nos pode proporcionar.

 

 

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