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Eduardo Sá deu uma entrevista na redacção do observador, que foi muito mais do que isso. Foi no fundo uma conversa, aberta a muitos.

A entrevista é longa e passa pelos mais diversos assuntos: comportamento das crianças, comportamento dos pais, autonomia, vacinas, adolescência, internet, educação, etc. Gostei muito de o ouvir, mas obviamente que não consegui prestar muita atenção a tudo o que foi dito.

No entanto, algumas das coisas que disse, merecem para mim um especial destaque.

Eu costumo dizer que os bons pais, e sublinhe-se bons, têm três qualidades ou três defeitos consoante a perspetiva que queiram colocar. Têm, invariavelmente, coração grande. Têm a cabeça quente, o que significa que as boas pessoas têm obrigatoriamente mau feitio e falam de mais.

 

Isto foi logo ao início. Começa tão bem. É por isso que eu gosto tanto de o ouvir e ler. Desmistifica tudo. Simplifica o complicado, complicando tudo, simplificando tudo. [Fiquei muito contente, por haver alguém que dê valor a estas minhas características. ]

Os pais saudáveis têm de ter o quanto baste de autoridade. Mas a autoridade é um exercício de sabedoria, de bondade e de sentido de justiça, que faz com que um pai e uma mãe digam: “Não, porque que eu, convictamente, acho que não.”. Quem é que inventou que nós temos de explicar os nãos aos nossos filhos como se fosse um decreto? “Porque que é que tu tens de comer a sopa?” Alinea a)… É como se os pais estivessem a dizer que não e, no fim, estivessem a perguntar aos filhos: “Estive bem?”. E depois, têm de promover a autonomia dos filhos. Se os pais pegarem nestes três condimentos, não estragam os filhos. Nós educamos com bons exemplos, não é com bons conselhos. A autoridade resulta das experiências de todos os dias e, portanto, o que é que os filhos precisam mais?

 

Lá está. O “não, porque não e ponto final” é importante. Não temos que negociar tudo. Não temos que explicar tudo. Somos nós os adultos que sabemos o que é o certo e o errado. E os nossos filhos têm que sentir essa confiança em nós. Têm muitas vezes que ser capazes de o fazer sozinhos, de decidir sozinhos. Mas têm que saber, que se “houver” problema, o pai e a mãe estão lá. Mas é o pai e a mãe, que com essa autoridade, promovem a confiança. E é essa confiança que os torna autónomos. “Nós educamos com bons exemplos, não é com bons conselhos.” É tão isto. E isto é daquelas coisas que é tão óbvia, que parece difícil. Mas depois tu olhas e pensas que não é nada difícil, mas afinal até é. [E é isto que é ser pai/mãe. Sabemos como devemos fazer, mas tantas vezes não o fazemos. Mas não somos perfeitos, nem temos que ser perfeitos]

Se pudesse mandar um bocadinho, quase reabilitava a obrigação de as crianças comerem o queque a meio do recreio sem lavarem as mãos. (...) Crianças saudáveis têm obrigatoriamente de se sujar. (...) E partir pernas de vez em quando. Por uma razão simples. Nós estamos a produzir crianças tão bacteriologiamente puras que, de repente, nunca houve tantas situações imunoalergológicas como existem.

 

Esta fez lembrar-me uma amiga minha. Parecia dito por ela. [Essa é “outra”, que me ajuda tantas vezes a simplificar. A sua forma de estar, aliada a mais experiência que tem do que eu, fez com que hoje passasse a relativizar muito mais as coisas. Obrigado I.]

Era muito bom que os pais percebessem que a raiva é um ansiolítico e um antidepressivo do melhor que há. Quando nós perdemos, cerramos os dentes e dizemos assim: “Macacos me mordam se eu não vou lá para ganhar a seguir”. Isto é dos melhores fatores de crescimento das crianças, ao qual nós nem sempre abrimos a porta, porque temos medo que os nossos filhos sempre que estão um bocadinho tristes — mesmo quando são demagógicos –, isso os possa traumatizar. Não traumatiza. Eu não sei quem é que inventou esta ideia de que as crianças saudáveis não podem estar tristes, mas nós devíamos ser claros: nós nunca aprendemos a ser felizes se não aprendermos a viver com a tristeza. A tristeza é mesmo o melhor antidepressivo do mundo.

 

Pois é. Eles têm que começar logo a saber o que é a frustração. A tristeza. O “não ser tudo como eles gostariam que fosse”. Faz parte. A vida real é assim. E qual é o problema de chorar. Chorem. É assim que eles vão aprendendo a gerir as suas emoções.

“Costumo pedir — era engraçado que tivesse o logótipo do Observador por baixo — que à entrada dos jardins de infância houvesse um letreiro muito grande a dizer assim: “É proibido ensinar a ler e a escrever no jardim de infância”. Não é por vontade das educadoras — as educadoras são um enclave de saúde mental que existe no sistema educativo –, mas é pela pressão das escolas e, às vezes, pela pressão dos pais. É bom que nós tenhamos uma regra….”

 

Isto é um mal que vem desde á muito. Cada vez querem por os miúdos a fazerem as coisas mais cedo, quando eles ainda nem sequer percebem o que estão a fazer. Há tanta coisas que eles têm que aprender antes de aprenderem a ler e a escrever.

“As crianças saudáveis aprendem do todo para a parte. A escola ensina-os da parte para o todo. As crianças, quando lêem um texto, ou vêem um quadro, interpretam primeiro e lêem depois, ou se preferir, interpretam em tempo real. O que é que a escola faz? Exatamente o contrário.”

 

Eu também, já fiz o contrário muitas vezes. E no outro dia, apercebi-me exatamente disso. Quando a miúda pede para ler uma história antes de dormir. Eu só quero despachar aquilo: ler a história para ela ir dormir e pronto. E ela, às vezes, nem ouve o que eu estou a ler, porque quer fazer perguntas, quer questionar, já está a interpretar e eu erradamente a dizer, “ouve a história e já vais perceber”. Não estou assim tão errada. Isto é gerível, eu sei. As vezes é que a paciência se esgota, e eu atropelo-me toda. Ela tem que saber esperar pelas várias etapas da história e viver as mesmas. Mas também tem toda a legitimidade para fazer perguntas e interpretar a história à maneira dela. Acho delicioso que ela me pergunte, ao ouvir a história do capuchinho vermelho, “mas porque é que a mãe não foi com ela”.

Está na altura do Ministério da Educação, e já agora do sr. Presidente da República, que pode fazer um pacto de regime… eu não entendo o que é que tem de supérfluo os vários partidos sentarem-se com quem tem pensado a educação ao longo dos tempos e dizerem assim: “O que é que nós queremos da educação nos próximos 20 anos?”. Porque é que isto é atentatório daquilo que separa as opções ideológicas das pessoas? Não é. Nós temos porventura um modelo escolar que tem muito de século XIX, muitos professores que ainda estão muito mais do que eles desejariam no século XX e as crianças estão no século XIX. Como é que a educação pode funcionar assim, de maneira a que se adeque aos tempos que correm? Não se adequa. Se calhar há aqui muitos jovens jornalistas que quando chegam não são jovens jornalistas, são aristocratas. E nós dizemos assim: “Olhe, faça isso” e eles dizem assim: “Porque é que eu não fiz? Porque não me disse exatamente como é que eu havia de fazer”. O que é que se ganha com isto?

 

Isto é tudo um assunto, para o qual terei que dedicar um post inteiro. Refiro, desde já, que concordo em absoluto com o que disse.

“Se o Estado entende que as crianças têm de entrar no ensino obrigatório, e quando não vão à escola aos seis e aos sete, acendem-se não sei quantos alarmes e as crianças são consideradas em perigo, juro que não entendo como há pais a não vacinar os filhos, que os expõem a perigos em consequência disso, que põem os outros em perigo por causa das opções muito duvidosas que eles têm e que isto não tenha consequências.”

 

Pois lá está. Mais um a argumentar o óbvio. Parece óbvio para tanta gente. Não sei como não se faz nada. [Já falei deste assunto aqui no blog, por isso não me adianto mais]

Estas foram algumas das coisas que me chamaram mais atenção. Se tiverem oportunidade, dêem uma vista de olhos à entrevista. Vale a pena.






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Um dia, na tua vida

por Ana, em 23.02.17

"Foi para mim um dia memorável, pois exerceu sobre mim grandes mudanças. Mas o mesmo sucede em qualquer vida. Imagine eliminar-lhe um determinado dia e pense no quão diferente o seu curso teria sido. Detenha-se, você que lê isto, e pense por um longo momento nas longas cadeias de ferro ou ouro, de espinhos ou flores, que jamais o teriam aprisionado, não fosse a formação do seu primeiro elo nesse dia memorável"

Charles Dickens, Grandes Esperanças

 

Quando li estas palavras pensei: pois, realmente é verdade. Somo nós que fazemos o nosso percurso, portanto é óbvio que são esses momentos que vivemos que fazem o que somos hoje.

Normalmente, a maioria de nós já fez esse exercício n vezes. No entanto, também acho que o fazemos mais pela negativa. Ou seja, momentos que olhamos agora e pensamos, devia ter ido antes pelo outro lado, optado antes por aquela opção, escolhido antes aquela pessoa, não ter dito aquelas palavras, etc... etc…

Consigo identificar alguns momentos marcantes da minha vida, em que tive oportunidade de fazer algo que eu realmente queria muito, mas não fiz. Consigo também identificar fases da minha vida em que optei por viver de uma forma, e em que vejo hoje claramente que devia ter optado por outra. Também já disse muita coisa, que algum tempo depois me arrependi de ter dito.

Mas e o contrário? Raramente pensamos nisso. Ou seja, naqueles momentos em que fizemos exactamente aquilo que continuamos a achar que foi o certo. De facto, é uma tortura, pensarmos que se esse momento não tivesse existido, não tínhamos estas "coisas magníficas" que hoje consideramos que alcançamos.

Porém, talvez este exercício seja uma forma de valorizarmos aquilo de bom que conseguimos, em vez de estarmos sempre a pensar naquilo que poderíamos ter sido, tido ou feito, por “más opções que consideramos ter no passado”

Bem sei que há muita gente que diz “eu só me arrependo daquilo que não fiz”. Ou, “não me interessa aquilo que já passou, mas aquilo que sou hoje”. Não proponho uma reflexão sobre os passado de cada um. Apenas sugiro (a mim própria, acima de tudo) um exercício positivo sobre a vida que se tem hoje.

[Até porque sinceramente, estou tão cansada das advservidades, que tenho que começar a ignorar que elas surgem. Fartinha, fartinha.]

 

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Assim que iniciei a leitura, percebi que me ia divertir com este livro. E de facto, já me ri.

Mas o livro não é só comédia. O tom sarcástico da personagem é engraçado. Mas a história da personagem é a história de muitas. Não exactamente igual à da personagem, porque nem todas somos esposas de maridos ricos e fazemos da nossa vida apenas cuidar do marido e filhas. Mas a questão é que grande parte de nós, trabalha, e trata da casa, das contas, do marido, dos filhos, da roupa para lavar e passar, do que fazer para o jantar, de pensar em actividades para fazer com as crianças.

É extenuante.

Como é que conseguimos fazer tanta coisa e ainda tratarmos de nós? É aí que quero chegar. É isso que estou sentir com a leitura do livro. Porque é que isto tudo é “naturalmente” exigido às mulheres? Porque é que se exige que as mulheres façam isto tudo, e tenham carreiras brilhantes, aspectos magníficos e sorrisos para todos. E paciência para lidar com tudo e com todos.

E por vocês próprias, o que têm feito?

Sim, bem sei que haverá quem se realize com o sorriso dos filhos, com o sucesso profissional, com a cozinha limpa e os armários da roupa todos organizadinhos. Mas e mais? Mais? Centrada em apenas em nós?

Reflictam lá nesta questão: Que tempo é que tenho verdadeiramente dedicado a mim própria?

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“Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver. A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, por outras palavras, o olhar do público. É o caso do cantor alemão e da estrela americana, como é também o caso do jornalista de queixo de rabeca. Estava habituado aos seus leitores, e quando o semanário foi proibido pelos russos teve a impressão de ficar com a atmosfera cem vezes mais rarefeita. Para ele, ninguém podia substituir os olhos anónimos. Sentia-se quase a sufocar, até que um dia percebeu que a polícia lhe seguia todos os passos, que o seu telefone estava sob escuta e que chegava a ser discretamente fotografado na rua. De repente, tinha outra vez olhos anónimos a acompanharem-no: já podia voltar a respirar! Interpelava num tom teatral os microfones escondidos na parede. Voltava a encontrar na polícia o público que julgava ter perdido para sempre.
Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares. São os incansáveis organizadores de jantares e de cocktails. São mais felizes que os da primeira categoria porque, quando estes perdem o público, imaginam que as luzes se apagaram para sempre na sala da sua vida. É o que, mais dia menos dia, lhes acontece a todos. Marie-Claude e a filha são deste género.
Vem em seguida a terceira categoria, a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. A sua condição é tão perigosa como a das pessoas do primeiro grupo. Se os olhos do ser amado se fecham, a sala fica mergulhada na escuridão. É neste tipo de pessoas que devemos incluir Tereza e Tomas.
Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes. São os sonhadores. Por exemplo, Franz. Foi até à fronteira cambojana unicamente por causa de Sabina. Dentro do autocarro, que a estrada tailandesa faz baloiçar violentamente, só sente o seu longo olhar poisado em si.”

A Insustentável Leveza do Ser | Autor: Kundera, Milan

 

É esta interdependência dos outros a maior característica do ser humano. É assim que vivemos em sociedade, sempre esperando pelo parecer do outro. Aceita, ou não aceita? Gosta ou não gosta?

Se pensarmos bem, a maior parte das nossas acções estão mais relacionadas em agradar os outros, no impacto que terão na vida dos outros, do que propriamente em nós. Mas não, pensamos que estamos a fazer aquilo por nós. E os outros, vão desde aqueles que nos estão mais próximos, aqueles que estão mais distantes - são os nossos pais, os nossos filhos, os nossos amigos, os nossos colegas, aqueles que se cruzam connosco na rua, na fila do supermercado, que vão nos transportes.

Por isso às vezes não fazemos o que queremos (ou fazemos coisas que não queremos), com medo de ferir susceptibilidades, de magoarmos alguém, daquilo que irão pensar.

Confesso que cada vez me preocupo menos com isso, e procuro fazer aquilo que realmente quero. Mas é difícil. Porque vivemos muito próximos uns dos outros, e cada um de nós acaba por ser influenciado pelo todo onde está inserido. E depois, aqueles que conseguem esse desligamento, são considerados egoístas, insensíveis (já para não dizer outras coisas menos simpáticas).

Esta é a maior dificuldade: encontrar o meio termo (ou fazer aquilo que realmente queremos, e deitar para trás das costas o que os outros pensam?)

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Desafio: 12 meses, 12 livros

por Ana, em 06.06.16

Foi-me colocado um desafio este ano. 1 livro por cada mês do ano. Só comecei em Março, mas consegui recuperar.

Aqui vai a lista:

  1. D.Maria II, de Isabel Stilwell
  2. O meu encontro com a vida, de Cecelia Ahern
  3. Comer, Orar e Amar, de Elizabeth Gilbert
  4. As Quatro Verdades, de Don Miguel Ruiz
  5. Sidarta, de Hermann Hess

Gostei de todos. Em “D. Maria II” voltei a deliciar-me com as histórias da corte portuguesa e inglesa. O livro “O meu encontro com a vida”, está engraçado. É uma leitura leve, com algum sentido de humor, mas que nos chama a atenção para “a nossa própria vida”. Gostei muito também das viagens de “Comer, Orar e Amar”, principalmente por ser uma história real. Despertou o meu interesse por coisas que eu era completamente céptica, e fez-me ir estudar mais sobre alguns assuntos, nomeadamente meditação, budismo, pensamento positivo. Daí os outros dois que se seguiram. “Sidarta” é sem dúvida brilhante. É um livro para ter sempre ali por perto, pois são tantas a reflexões que se conseguem tirar dele.

Portanto, o meu gosto é vasto. Alguns são só para entreter a mente. Outros, pelos ensinamentos. Outros, pelo encantamento da história. Vou alternando.

Este mês vou ler “Nome de Código Leoparda”, de Ken Follet. Um leitura que julgo que vai ser muito agradável. Ken Follett tem uma escrita deliciosa. E a história tem um dos ingredientes que mais gosto nos livros: pega num episódio histórico (neste caso a Segunda Guerra Mundial) e  elabora todo um thriller à volta disso. Promete.

 

 

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 [Tem é 490 páginas. Vamos lá ver se um mês chega. Já vou com alguns dias de atraso]

 

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José Saramago é o meu autor favorito. E o “Ensaio sobre a Cegueira”, é o meu preferido dos preferidos.

A obra é intemporal (aliás, como todas as obras que conheço dele). A metáfora à sociedade actual, e à condição do ser humano é do mais bem construído que já alguma vez li. [Que eu li, note-se. Não sou propriamente uma super entendida no assunto]

 

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“- Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.” (SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira.)

 

Nesta “história” Saramago relata-nos a “história” de um “país” onde todos, à excepção de uma pessoa, ficam cegos. Faz lembrar a ideia de um lúcido, no meio de loucos. Quem é o louco afinal? E quem é o cego? Aqueles que não vêem, ou aqueles que vendo, não conseguem ver o que todos os outros não vêem?

Está confuso não está?

O que eu quero dizer é o seguinte: a tendência actual, é vermos o mundo, com os olhos dos outros (internet, tv, comunicação social, no geral), e aquilo que nos chega (que vemos), é aquilo que estes órgãos escolhem mostrar (ou aquilo que eles próprios vêem). Ao não escolhermos as nossas fontes de informação (ou diversificá-las, vá), não vemos aquilo que estes (que escolhem o que nos querem mostrar) não vêem.

E é isto que somos. Formatados.

 

 

[E depois, aqueles que não são cegos, que vêem aquilo que querem e com os seus próprios olhos, é que são os cegos, que não querem ver o que toda a gente vê (os loucos, portanto)]

 

 

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Estou a ler o livro Siddhartha de Herman Hesse.

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Este livro é de uma imensidão, que até os mais cépticos (eu julgo ser um deles, ou então a idade mudou-me) ficam a pensar.

Porque na verdade, o que se lê naquelas palavras, preenche-nos de uma forma difícil de explicar. Siddhartha tem a capacidade de tornar o que para o cidadão comum é o mais complicado e ao mesmo tempo, o mais importante na sua vida, em o mais simples e o mais fácil. E o contrário também se aplica.

Várias reflexões tenho tido com a sua leitura. [São estes livros que são bons. Aqueles que nos fazem ir muito mais longe do aquilo que estamos a ler.]

Hoje reflito sobre as palavras e o significado das mesmas.

“Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm cores, não têm arestas, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras. Talvez seja isto que impede de encontrares a paz, talvez sejam as palavras em excesso. Porque também libertação e virtude, também Samsara e Nirvana são meras palavras. Nada existe que seja o Nirvana; apenas existe a palavra Nirvana.” (citação do livro Siddhartha de Herman Hesse)

As palavras. O que são as as palavas?

Diz a infopédia “unidade linguística dotada de sentido, constituída por fonemas organizados numa determinada ordem, que pertence a uma (ou mais)categoria(s) sintática(s) e que, na escrita, é delimitada por espaços brancos;termo, vocábulo”.

Eu diria mais coisas sobre as palavras. É aquilo que dá expressão aos pensamentos. É aquilo que classifica os sentimentos.

Mas as palavras não são mais do que isso. Um veículo. Por onde circula as nossas ideias, os nossos sentimentos. As nossas vontades. As nossas opiniões. Só isso. Palavras.

Saiem de dentro de nós. E entram dentro de nós.

Surgem sob a forma escrita. Sob a forma “dita”. Mas onde está a força das mesmas? O significado delas?

Está em nós. Dentro de nós.

É claro para mim o seguinte: há o significado de quem as diz e o significado de quem as ouve. Por isso, só há palavras negativas, se nos lhes dermos esse significado, essa conotação. Podemos também sempre “fechar” os nossos ouvidos, para aquilo que não queremos ouvir. Podemos (devemos) selecionar aquilo que ouvimos.

Muitas pessoas dizem: “pensa bem antes de falares”, “vê bem o que vais dizer”.

Pois eu acrescento: escolhe as palavras que queres ouvir. E as que ouvires, confere-lhes significado. O teu significado. Aquele que constrói algo em ti. Se não, é lixo. Por isso, apaga-as.

 

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