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Às vezes não dá

por Ana, em 22.11.17

Há dias que acordo antes das 5h da manhã e vou correr. Às vezes não dá.

Há dias em que estou super motivada e cheia de ideias boas.  Às vezes não dá.

Há fins de semana em que faço múltiplas coisas: organizo a casa, roupa, comida, passeio, brinco, deito-me no sofá. Às vezes não dá.

Há semanas em que consigo ter tudo orientadinho ao minuto. Às vezes não dá.

Há dias em que consigo sorrir genuinamente. Às vezes não dá.

Há dias que me sinto grata por tudo aquilo que tenho. Às vezes não dá.

Há dias em que consigo antecipar uma birra da miúda e evitar a mesma. Às vezes não dá.

Há dias em que consigo ignorar o choro da birra da miúda e perceber que aquilo é só cansaço. Às vezes não dá.

Há dias em que me sinto bem na minha pele. Às vezes não dá.

Há dias em que acordo cheia de energia. Às vezes não dá.

Há dias em que gostava de me levantar da cama e ir directa para o sofá e lá ficar até a energia surgir. Mas tantas vezes não dá.

Há dias em que me comparo com aquilo que já fui e fico substancialmente satisfeita com a diferença. Às vezes não dá.

Há dias em que consigo encontrar-me e ser apenas Eu. Mas tantas vezes não dá.

Há dias em que planeio uma viagem. Mas depois concluo que não dá.

Há dias em que todas estas coisas dão. Mas outros tantos, em que não dá.



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Coisas em introspectiva #10

por Ana, em 09.10.17

Desde sempre que gostei de “conversar” comigo própria.

De desabafar. Reflectir sobre as mais diversas coisas. Em voz alta. Sozinha.

Manias.

A questão é que desde sempre me considerei a minha melhor conselheira. Hoje em dia, já tenho as “minhas pessoas” a quem recorro em algumas situações.

Mas há situações (muitas) em que o que me interessa mesmo é apenas e só a minha opinião. E nessas alturas “falo” comigo própria.

Também me acontece às vezes, estar num grupo onde todos falam/debatem/partilham opiniões sobre um dado assunto, e eu apesar de não verbalizar nada, dou por mim a fazer essa mesma conversa mentalmente comigo própria.

Isto é o quê? Timidez? Arrogancia?

Há quem me considere uma coisa. Há quem me considere outra.

Há quem ainda me julge muito independente e “senhora das minhas opiniões”.

Há também quem ache “que tenho a mania”.

Sei que não é nada disto.

Mas também não sei bem porque sou assim.

O que eu sei é que isto me ajuda a raciocinar. A ver as coisas sobre várias perspectivas. A simplificar. A não me deixar ir na onda dos outros.

 

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Coisas em introspectiva #09

por Ana, em 29.09.17

Porque é que as minhas manhãs são sempre uma correria?

Porque é que assim que me levanto, começo logo a fazer uma série de coisas, sem dar tempo ainda aos meus olhos de abrirem e ao cérebro de processar?

Porque é que faço tudo a despachar, sem abrir as janelas sequer e ver como o dia amanheceu?

Porque é que estou sempre em stress?

Porque é que estou sempre a dizer “despacha-te”?

Porque é que não relaxo?

Porque é que não acordo devagar, abro as janelas, aprecio o que há minha volta, inspiro o ar da manhã para ganhar energias para o resto do dia?

Não, não é por acordar tarde. Acordo cedo. Mas provavelmente, se quero isto tudo, vou ter que acordar ainda mais cedo.

[Estes pensamentos vieram-me hoje à ideia, porque só quando me meti no carro é que vi a humidade que estava hoje lá na aldeia, com o nevoeiro cerrado da serra de Sintra. E a pessoa põe-se a pensar: “mulher, tu só vives, nem pensas”. E isto chateia um bocadinho]

 

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Coisas em introspectiva #08

por Ana, em 01.09.17

Aqui há tempos escrevi este post.

Estávamos numa daquelas fases complicadas, que com a idade vão ficando cada vez mais “desafiadoras”.

Escrevi

“(...)Dizer não. Marcar posição de autoridade. Por de castigo. Dizer “não grites”. Dizer “para de chorar”. Sair de ao pé dela e ouvir um choro contínuo já desespero (manipulador, será?), “oh mãe, por favor, não me deixes aqui sozinha”. Explicar o porquê do porque não. Explicar o mau daqueles comportamentos. Ralhar. Conversar. Acabar com a conversa por ali e esperar que a birra passe. E tudo junto outra vez.

Isto é esgotante. (…)”

E sim.

É exasperante. De me levar muitas vezes ao limite.

Mas o tempo vai passando.

E todas as fases mais complicadas também passam.

[E voltam outra vez, e eu esqueço-me que vão passar. Eheheh]

Mas o que eu quero dizer agora, é que tem valido a pena. Vale a pena cada “conflito” que vai surgindo. Todas as vezes em que tenho mantido a minha posição.

Não sou perfeita. Longe disso. Erro muitas vezes. E a minha miúda não é de longe nem de perto um caso exemplar de educação e cumpridora de regras e tudo e tudo e tudo.

Mas se aqui há tempos disso que “educar a educação” era das coisas mais difíceis da maternidade, hoje mantenho e reforço. No entanto, acrescento: é das coisas mais recompensadoras da maternidade.

Ver ela a crescer. A tornar-se numa pessoa com vontades e opiniões. A cumprir regras, e a desafiar outras que vão surgindo. A perceber o que está certo e o que está errado. A optar mais vezes pelo que está certo. A dizer “ok, eu vou fazer o que vocês estão a dizer, mas eu não queria e estou chateada”.

Isto é bom, mas tão bom.

Foram as primeiras férias sem sesta. Eu achava que isto ia ser um horror. Foram as melhores férias desde que ela nasceu. Participou inteiramente em todos os programas. Mostrou verdadeiro entusiasmo em cada momento. Entediou-se outras tantas vezes por não saber o que fazer. Encontrou o que fazer nos momentos de tédio.

Houve birras, sim senhora. Houve contestações e reclamações. Mas também a consegui observar em diferentes contextos e ver como a minha bebé já deixou de o ser e se está a transformar em menina.

 

[Daqui a uns tempos estou outra vez a dar em maluca com as birras e as “guerras”. Mas fica aqui o balanço. Tudo passa. O que vem a seguir é sempre diferente, mas parece sempre pior. Mas também passa. O importante é nós sabermos o que é importante e gerir isso com eles]

 

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...

por Ana, em 10.08.17

Há coisas que nos acontecem na vida que nos deixam de tal modo transtornados que nos recusamos a “absorver” as mesmas. Porque sabemos que se aquilo entra em nós, a exteriorização daquilo que sentimos será tão forte, tão esmagadora, que não sabemos se nos conseguimos levantar.

A questão é que, a recusa de absorção das mesmas, não é nada. Porque tudo está ali. Ao de cima. Á espera de conseguir entrar.

E depois vão surgindo momentos, estímulos, que abrem a porta e “aquilo” tenta entrar.

As alternativas são: fechar depressa, lidar momentaneamente com aquilo que acabou de entrar, mas selar logo, porque senão abre outra vez; ou, deixar logo entrar tudo de vez.

Por norma, recorro sempre à primeira. Acho sempre que não tenho “tempo” para lidar com as coisas. Preciso de me manter à superfície.

Não sei, sinceramente se isto é o mais saudável. Se isto é o mais certo. Sei que me tomam ou por fria e distante, ou por forte e cheia de mim.

Às vezes é uma coisa. Outras vezes é outra.

Mas neste momento, é um medo do caraças de lidar com esta treta.

 

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por Ana, em 03.08.17

[A falta de inspiração, misturada com a falta de paciência para lidar com pessoas, misturada com a avalanche de trabalho que apareceu nos últimos dias, tem me levado a partilhar menos coisas minhas. Resumo dos meus dias: comer, trabalhar, dormir e ver a Guerra dos Tronos (também eu já me rendi aquilo e estou a ver desde o início).]

 

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Hoje faço 37 anos.

E estas são as (parte das) 37 coisas que aprendi nestes 37 anos.

[Eu sei que é muito. Estou curiosa para saber se alguém vai ler isto até ao fim. Em minha defesa posso dizer apenas que fui sucinta]

1 - A andar

2 - A comer e beber

3 - A fazer a minha higiene

4 - A brincar

5 - A andar

6 - A ler e escrever

7 - A fazer amizades

8 - A desiludir-me com as pessoas

9 - Não vale a pena o que os outros dizem, quando tu não queres ouvir

10 - Aprender com os meus próprios erros

11 - Que tenho uma excelente cabecinha, e não me deixo influenciar por opiniões alheias (mesmo que não o demonstre)

12 - Só fica, quem era para ficar

13 - A selecionar as pessoas de quem quero ouvir conselhos

14 - Muitas vezes as pessoas falam de cor, sem saber propriamente o que estão a dizer

15 - A fechar mais vezes a boca. Às vezes a melhor coisa a fazer é ficar mesmo calada

16 - A maquilhar-me

17 - A conduzir

18 - A ouvir

19 - A cozinhar

20 - A andar de bicicleta (mas já “desaprendi”)

21 - A “aguentar-me” quando não há outra solução

22 - A ter que arranjar outra solução, quando a primeira parecia a única

23 - A sofrer menos por antecipação (ainda tenho que trabalhar melhor isto)

24 - A perceber que às vezes, foi apenas o meu stress que “estragou” tudo

25 - A rir de mim própria

26 - Mais caminhos para chegar ao mesmo sítio (fruto de me enganar tantas vezes no percurso)

27 - Não é o sonho que comanda a vida, mas sim as tuas acções

28 - Nem sempre as pessoas são aquilo que parecem

29 - A ser mãe

30 - A ser companheira

31 - A nunca mais dizer “nunca” (Acabei de o fazer...Eheheheh)

32 - Muitas vezes, as coisas decidem-se por si

33 - A agir mais de acordo com aquilo que penso, em vez daquilo que parece bem aos outros

34 - Um amigo não é aquele que existe para partilhar bons momentos. É para os bons, para os maus, para as rotinas do dia a dia. Para te chamar à razão. Para rir. Para chorar. Para te vangloriares. E para te queixares.

35 - Que vou saltando de barreira em barreira, às vezes de forma perfeita, e muitas vezes, batendo com o pé na barreira, caindo, perdendo, chorando, sendo “desclassificada”

36 - A perceber que não tenho que fazer/resolver/sentir tudo sozinha

37 - A aprender comigo própria. Em vez de ficar irritada comigo mesmo numa dada altura por ter agido de determinada forma, já consigo pensar “está feito, está feito”. Compreender onde falhei e aceitar que de futuro será diferente.

 

Acima de tudo, aprendi que estou sempre a aprender. Que não sei tudo. Que não consigo tudo. E que não tenho sempre razão. Mas que me aguento em tudo, em que é necessário me aguentar.



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No outro dia a minha filha brincava no parque com uma menina da idade dela. Estavam ambas sentadas e a mãe da outra estava lá ao pé. Eu estava ligeiramente afastada, deixando-a brincar e conversar.

Primeiro, critiquei mentalmente a outra mãe. Pensei, “mas que mania que têm os adultos de se meteram no meio das crianças, assim nunca estão os miúdos totalmente à vontade para fazer novas amizades”. Tão errada que eu estava.

Passado um bocado, vi um aparelho daqueles que ajudam as crianças a andar lá encostado.

Uma outra miúda foi ter com elas e insistiu para que fossem brincar à apanhada. A minha levantou-se logo. De seguida, a mãe ajudou a outra menina a levantar-se. A minha primeiro disse “não consegues andar ou quê?”. A mãe, calmamente explicou que a “x” precisava daquilo para conseguir andar. A minha filha ouviu em silêncio e no minuto seguinte, já estavam as duas a correr e a jogar à apanhada. Gargalhadas daquelas mesmo boas. Não falou mais no assunto. No final da brincadeira, despediu-se dela, como sempre faz. A outra deu-lhe um abraço mesmo apertado.

E eu pus-me a pensar. A facilidade com que as crianças desta idade lidam com a diferença, é impressionante. Querem lá saber. Elas não sentem diferente. Elas brincam de igual forma. Riem das mesmas coisas.

Porque é que depois a diferença começa a ser notada e falada? Onde é que algures na nossa vida perdemos esta capacidade?

Não tenho dúvida nenhuma que são igualmente pessoas como aquela mãe, que fazem a diferença. Que não privam a filha de nada. Que a educam exactamente nos mesmos princípios que nós educamos os nossos. E que têm esta tranquilidade em explicar às outras crianças algo de forma tão natural.

A minha irmã teve vários e sérios problemas com a fala. Nunca fiz questão de intervir quando ela falava e não a entendiam. Sempre fiquei calada, à espera que ela se fizesse entender. Sempre foi muito social e despachada. A minha mãe sempre a deixou andar à solta e a incentivou à vida social. Hoje tem muito mais vida social do que eu.

Há cerca de uns 2 anos, descobri na creche da minha filha uma criança com as mesmas dificuldades. Um dia a mãe no meio de uma conversa diz-me “ele tem problemas”. Saí nesse dia de lá numa revolta que só visto. Problemas tem certamente a senhora. E aquele miúdo com aquela mãe também os terá. Mas não os que ela julga que ele tem.

Nesta creche onde ela está agora, está lá uma menina com síndrome de down. Se a minha filha nota alguma coisa de diferente naquela menina? Não. Perfeitamente autónoma e a fazer as mesmas coisas que os outros. Lá está, mais uma vez porque tem uns pais que incentivam isso mesmo.

A minha filha brinca diariamente com crianças com diferentes cores de pele. Com pais de diferentes países. Com culturas diferentes. Umas com cabelo louro. Outras castanho. Umas com óculos. Outras sem eles. Mas todas correm. Todas riem. Todas brincam. Todas fazem plasticinas. Todas cantam músicas. Todas fazem birras. Todas choram. Todas são diferentes e todas são iguais.

Volto a dizer. Não sei onde perdemos esta capacidade e quando começamos a complicar o que não tem complicação. Mas gostava muito que ela se mantivesse assim. Farei o que conseguir para isso.

 

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Precariedade no empenho

por Ana, em 04.06.17

Comecei a minha vida de precária em 2003. Estamos em 2017. Tenho 36 anos. E continuo precária. Não tive sempre a mesma função. Já participei em vários projectos. Já fiz muitas coisas. Conheci muita gente. Mas “estabilidade profissional” é coisa que não conheço [espero ansiosamente algum dia saber como é]. O que é certo, é que independentemente da situação precária em que me fui encontrando, sempre gostei daquilo que fiz, e sempre o fiz com rigor, paixão e vontade de fazer o melhor.

 

Isto tudo, para chegar onde? Choca-me esta falta de vontade que me vai passando pelos olhos, quando encontro pessoas a trabalhar. Este ar “estou aqui a fazer isto, mas podia estar a fazer outra coisa qualquer, desde que me paguem”. Pior, por acharem que já têm um contrato, julgarem que não têm que se preocupar com mais nada.

 

Sempre tive que dar o litro. Ansiar por um feedback positivo do outro lado, pois sempre foi isso que me foi garantido algum trabalho (mesmo que precário, é trabalho). E depois, uma pessoa vê alminhas que pouca experiência têm, não tiveram que lutar grande coisa para terem o que têm, e mesmo assim acharem que “desde que não me chateiam, eu estou aqui e faço o que vocês acharem que eu devo fazer”.

 

Zero autonomia. Zero iniciativa. Zero desenrascanço.

 

Não quero transformar este post numa questão de conflito de gerações, mas o que é certo é que estas camada mais jovens que estão a chegar ao mercado de trabalho são assustadoras. Acredito, que também existam situações contrárias a esta. De qualquer das formas, esta ideia generalizada “eu posso tudo, e não preciso de fazer grande coisa para o ter” é algo que começa a estar enraizada já na mentalidade desta malta.

 

Ora, isso faz-me imensa confusão. Pois, se eu acabei o curso numa altura má (diziam os meus professores), esta malta que acabou os cursos no meio da crise também não teve muita sorte. Por isso, donde vem este desprendimento todo? Esta sensação que têm que são os maiores, e que as oportunidades não se procuram, que elas aparecem?

 

E depois quando encontram alguma coisa é isto:

desinteresse político.jpg

Não ouvem nada do que devem ouvir. Escolhem apenas aquilo que querem ouvir.

Ver, só vêem o que está a frente dos olhos. O resto, está quieto.

Falar, esquece. "Mas alguém me perguntou alguma coisa? "Ai, eu não sei"

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...

por Ana, em 24.05.17

Tenho por norma um ar sério. Há quem diga que antipático. Não desminto. Não dou “confianças” assim sem mais nem menos. Mas conforme vou conhecendo as pessoas, conforme vou sentindo que elas merecem a minha simpatia [vejam só a presunção, hã] começo a revelar outra pessoa, e “desbobino” assim algumas parvoíces. Por vezes acontece-me que as pessoas fiquem assim meio parvas a olhar para mim. Julgam-me maluca, provavelmente. Provavelmente sou mesmo. Tenho uma mente muito a mil à hora, apesar de transparecer uma postura calma. É por isso que as vezes me saem assim umas coisas meio doidas. Doidas, claramente só para quem as ouve assim de repente. Porque na minha mente têm toda uma lógica.

[Este post é um pouco louco, eu sei. Foi uma constatação que me veio assim à cabeça, depois de duas situações caricatas que já vivi hoje]

 

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