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Diversidade | Diferença | Heterogeneidade

por Cá coisas minhas, em 12.06.17

No outro dia a minha filha brincava no parque com uma menina da idade dela. Estavam ambas sentadas e a mãe da outra estava lá ao pé. Eu estava ligeiramente afastada, deixando-a brincar e conversar.

Primeiro, critiquei mentalmente a outra mãe. Pensei, “mas que mania que têm os adultos de se meteram no meio das crianças, assim nunca estão os miúdos totalmente à vontade para fazer novas amizades”. Tão errada que eu estava.

Passado um bocado, vi um aparelho daqueles que ajudam as crianças a andar lá encostado.

Uma outra miúda foi ter com elas e insistiu para que fossem brincar à apanhada. A minha levantou-se logo. De seguida, a mãe ajudou a outra menina a levantar-se. A minha primeiro disse “não consegues andar ou quê?”. A mãe, calmamente explicou que a “x” precisava daquilo para conseguir andar. A minha filha ouviu em silêncio e no minuto seguinte, já estavam as duas a correr e a jogar à apanhada. Gargalhadas daquelas mesmo boas. Não falou mais no assunto. No final da brincadeira, despediu-se dela, como sempre faz. A outra deu-lhe um abraço mesmo apertado.

E eu pus-me a pensar. A facilidade com que as crianças desta idade lidam com a diferença, é impressionante. Querem lá saber. Elas não sentem diferente. Elas brincam de igual forma. Riem das mesmas coisas.

Porque é que depois a diferença começa a ser notada e falada? Onde é que algures na nossa vida perdemos esta capacidade?

Não tenho dúvida nenhuma que são igualmente pessoas como aquela mãe, que fazem a diferença. Que não privam a filha de nada. Que a educam exactamente nos mesmos princípios que nós educamos os nossos. E que têm esta tranquilidade em explicar às outras crianças algo de forma tão natural.

A minha irmã teve vários e sérios problemas com a fala. Nunca fiz questão de intervir quando ela falava e não a entendiam. Sempre fiquei calada, à espera que ela se fizesse entender. Sempre foi muito social e despachada. A minha mãe sempre a deixou andar à solta e a incentivou à vida social. Hoje tem muito mais vida social do que eu.

Há cerca de uns 2 anos, descobri na creche da minha filha uma criança com as mesmas dificuldades. Um dia a mãe no meio de uma conversa diz-me “ele tem problemas”. Saí nesse dia de lá numa revolta que só visto. Problemas tem certamente a senhora. E aquele miúdo com aquela mãe também os terá. Mas não os que ela julga que ele tem.

Nesta creche onde ela está agora, está lá uma menina com síndrome de down. Se a minha filha nota alguma coisa de diferente naquela menina? Não. Perfeitamente autónoma e a fazer as mesmas coisas que os outros. Lá está, mais uma vez porque tem uns pais que incentivam isso mesmo.

A minha filha brinca diariamente com crianças com diferentes cores de pele. Com pais de diferentes países. Com culturas diferentes. Umas com cabelo louro. Outras castanho. Umas com óculos. Outras sem eles. Mas todas correm. Todas riem. Todas brincam. Todas fazem plasticinas. Todas cantam músicas. Todas fazem birras. Todas choram. Todas são diferentes e todas são iguais.

Volto a dizer. Não sei onde perdemos esta capacidade e quando começamos a complicar o que não tem complicação. Mas gostava muito que ela se mantivesse assim. Farei o que conseguir para isso.

 

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Precariedade no empenho

por Cá coisas minhas, em 04.06.17

Comecei a minha vida de precária em 2003. Estamos em 2017. Tenho 36 anos. E continuo precária. Não tive sempre a mesma função. Já participei em vários projectos. Já fiz muitas coisas. Conheci muita gente. Mas “estabilidade profissional” é coisa que não conheço [espero ansiosamente algum dia saber como é]. O que é certo, é que independentemente da situação precária em que me fui encontrando, sempre gostei daquilo que fiz, e sempre o fiz com rigor, paixão e vontade de fazer o melhor.

 

Isto tudo, para chegar onde? Choca-me esta falta de vontade que me vai passando pelos olhos, quando encontro pessoas a trabalhar. Este ar “estou aqui a fazer isto, mas podia estar a fazer outra coisa qualquer, desde que me paguem”. Pior, por acharem que já têm um contrato, julgarem que não têm que se preocupar com mais nada.

 

Sempre tive que dar o litro. Ansiar por um feedback positivo do outro lado, pois sempre foi isso que me foi garantido algum trabalho (mesmo que precário, é trabalho). E depois, uma pessoa vê alminhas que pouca experiência têm, não tiveram que lutar grande coisa para terem o que têm, e mesmo assim acharem que “desde que não me chateiam, eu estou aqui e faço o que vocês acharem que eu devo fazer”.

 

Zero autonomia. Zero iniciativa. Zero desenrascanço.

 

Não quero transformar este post numa questão de conflito de gerações, mas o que é certo é que estas camada mais jovens que estão a chegar ao mercado de trabalho são assustadoras. Acredito, que também existam situações contrárias a esta. De qualquer das formas, esta ideia generalizada “eu posso tudo, e não preciso de fazer grande coisa para o ter” é algo que começa a estar enraizada já na mentalidade desta malta.

 

Ora, isso faz-me imensa confusão. Pois, se eu acabei o curso numa altura má (diziam os meus professores), esta malta que acabou os cursos no meio da crise também não teve muita sorte. Por isso, donde vem este desprendimento todo? Esta sensação que têm que são os maiores, e que as oportunidades não se procuram, que elas aparecem?

 

E depois quando encontram alguma coisa é isto:

desinteresse político.jpg

Não ouvem nada do que devem ouvir. Escolhem apenas aquilo que querem ouvir.

Ver, só vêem o que está a frente dos olhos. O resto, está quieto.

Falar, esquece. "Mas alguém me perguntou alguma coisa? "Ai, eu não sei"

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...

por Cá coisas minhas, em 24.05.17

Tenho por norma um ar sério. Há quem diga que antipático. Não desminto. Não dou “confianças” assim sem mais nem menos. Mas conforme vou conhecendo as pessoas, conforme vou sentindo que elas merecem a minha simpatia [vejam só a presunção, hã] começo a revelar outra pessoa, e “desbobino” assim algumas parvoíces. Por vezes acontece-me que as pessoas fiquem assim meio parvas a olhar para mim. Julgam-me maluca, provavelmente. Provavelmente sou mesmo. Tenho uma mente muito a mil à hora, apesar de transparecer uma postura calma. É por isso que as vezes me saem assim umas coisas meio doidas. Doidas, claramente só para quem as ouve assim de repente. Porque na minha mente têm toda uma lógica.

[Este post é um pouco louco, eu sei. Foi uma constatação que me veio assim à cabeça, depois de duas situações caricatas que já vivi hoje]

 

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Há passado que gostava de ter no presente

por Cá coisas minhas, em 23.05.17

Foi durante o ensino secundário que criei grande parte dos meus laços de amizade. Laços que julguei que ficariam para sempre. Afinal não ficaram. Quer dizer, eles ficaram. Porque o sentimento está lá. Mas a vivência desses laços foi-se dissipando. E não foi a chegada à vida adulta que fez isso. Porque eles foram ficando, mesmo depois disso. Foi a vida de cada um de nós que nos afastou. Cada um foi viver para um sítio diferente. Cada um foi trabalhar para um sítio diferente. E se antes de casarmos e/ou termos filhos, ainda conseguíamos manter isso, com os casamentos, com os filhos, com todos os compromissos pessoais e profissionais com que vamos enchendo as nossas agendas, o tempo para estarmos uns com os outros foi escasseando. Porque deixamos de definir isso como prioritário.

 

Confesso que sinto falta. Mas confesso também que nada faço para alterar isso. Porque lá está, estou sempre a adiar, face a tudo aquilo que vou definindo como prioritário.

 

No entanto, algum contacto vai surgindo. Seja pelas conversas on-line, seja por telefone. [Há uma dessas pessoas, que contraria essa tendência. E que me liga de vez em quando. E que não “cobra” a falta de notícias. É por isso que gosto tanto dele, e acho que este sim, vai ficar para sempre] E é quando surgem estes momentos, que me esqueço que já tenho mais de 35 anos, um trabalho, um marido, uma filha, uma casa para gerir. E me lembro de quando éramos só nós todos. Das coisas que fazíamos. Daquilo que nos fazia rir. Dos fins de semana prolongados que fazíamos questão em marcar juntos. Mas o que gosto mesmo é de me sentir assim, mas a partilhar o presente.

 

Tenho efectivamente muita pena, que não seja possível vivermos a vida de agora, uns com os outros. E não falo de encontros sazonais, porque o que se faz nesses encontros é reviver o passado. Gostava mesmo de tê-los ainda aqui no meu dia a dia. Saber das coisas deles, partilhar as minhas coisas.

 

Ainda o consigo fazer com um. Gostaria de o fazer com pelo menos mais três. Mas pronto, a vida é assim. E não há culpados aqui. Todos nós temos feito as nossas opções. E eu sei, que o casulo onde me meto às vezes, é difícil de lá conseguir entrar.

 

[Nem preciso de dizer nomes. Porque se este post for lido por algum de vós, claramente perceberá de quem eu falo. E não são reclamações. São constatações]

 

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Coisas em introspectiva #06

por Cá coisas minhas, em 04.05.17

“Educar a educação”

É este para mim o maior desafio da maternidade.

Faz-me muita confusão ver miúdos mal criados, que não ouvem, que gritam, que respondem aos pais (e outros adultos).

E esta fase é muito difícil. É crucial.

Ela é desafiadora. Gosta de marcar posição. Quer fazer as coisas à maneira dela. E luta, luta … mesmo quando sabe que não vai levar a melhor. E eu percebo que é isto que tenho que gerir.

Sim, eu sei. Ela está a aprender a gerir as emoções. E a maneira que ela tem de descomprimir é mandar aquilo tudo cá para fora. Mas sinto, que se não tenho mão agora, isto pode resvalar de uma maneira muito complicada.

Dizer não. Marcar posição de autoridade. Por de castigo. Dizer “não grites”. Dizer “para de chorar”. Sair de ao pé dela e ouvir um choro contínuo já desespero (manipulador, será?), “oh mãe, por favor, não me deixes aqui sozinha”. Explicar o porquê do porque não. Explicar o mau daqueles comportamentos. Ralhar. Conversar. Acabar com a conversa por ali e esperar que a birra passe. E tudo junto outra vez.

Isto é esgotante.

[Adoro que ela seja assim. Um furacão. A marcar posição onde está. A dar sempre a sua opinião. Dosear as situações, é que é lixado. Lá está. Explicar-lhe, fazê-la ver que há situações em que a mãe e o pai é que sabem e ponto final.]

 

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Coisas em introspectiva #05

por Cá coisas minhas, em 03.05.17

Há coisas que acontecem, que se ouvem, que se vivem e que das duas uma: ou sempre existiram e tu nunca lhes deste importância (e ás tantas agora, depois de se repetirem tanto, começas a dar), ou só começam a surgir agora porque de repente resolveram chatear-te a mona…

Não sei. Na certa, acontecem de ambas a toda a gente. E também muitas vezes, acontecem ao mesmo tempo. Não sei.

Mas sei que (verdade de la palice), as coisas só têm a importância que nós lhe damos. A sabedoria de gerir emoções, é mesmo essa: escolher aquilo a que havemos de dar importância.

Tenho para mim que o amadurecimento emocional, não é grande amigo disto. Porque há cada vez mais coisas que me “moem o juízo”. Eu bem tento ignorar, não dar importância. Mas é difícil.

Terei o meu mau feitio mais apurado?

Ou estou cada vez mais sensível à falta de educação bom senso dos outros?

Ou o meu conceito de bom senso é assim tão diferente?

Estarei assim tão intolerante às críticas só porque sim?

Ou sou eu que vejo crítica onde não há?

Estarei a dar assim tanta importância à educação que considero básica?

Ou são as pessoas que estão cada vez mais a borrifar-se para tudo?

[Se calhar é isto tudo junto]

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...

por Cá coisas minhas, em 10.04.17

Se é verdade que pensamentos positivos, trazem coisas positivas, também é verdade que quando mostras aos outros que apesar de tudo, estás a caminhar num bom caminho, há sempre um ou outro que fazem questão que fiques para trás.

A felicidade daqueles que espelham aquilo que nós queremos, doi não doi? Não, não dói. Não tem que doer. Porque se doer, não é dor. É outra coisa: suja, mesquinha e cuja palavra, nem ouso pronunciar.

 

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Há dias...

por Cá coisas minhas, em 05.04.17

Em que só apetece baixar os braços, e dizer “acabou, não quero saber”.

Há dias…

Em que se instala em nós uma profunda tristeza, cansaço, melancolia. Nesses dias é difícil olhar para a frente. É difícil ver o copo meio cheio. É difícil aceitar o “pensa nas coisas boas que tens”.

Há dias…

Em que as lágrimas estão ali “na pontinha dos olhos” à espera de um qualquer momento para saltar.

Há dias…

Em que só apetece enfiar a cabeça dentro de um buraco e só sair quando “tudo passar”.

Há dias…

Em que é difícil dizeres a ti próprio “já evoluíste tanto”.

Há dias…

Em que questionas: “porque estou aqui?” “porque estou assim?

Há dias…

Em que não apetece dizer “está tudo bem” e fazer conversas do dia-a-dia.

Há dias em que o peso dos dias é tão pesado.

[Estes dias eram mais fáceis, quando era só eu. Quando não havia “responsabilidades”. Agora, nestes dias, a única coisa a fazer é ignorar que o dia está a acontecer e esperar que acabe depressa]

 

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Coisas em introspectiva #02

por Cá coisas minhas, em 22.02.17

Tenho dias que gosto de falar, rir, escrever, ler, opinar sobre tudo e mais alguma coisa.

Tenho dias que a inspiração falta.

Tenho dias que me entusiasmam e me fazem ir ler e aprender sobre alguma coisa diferente.

Tenho dias em que leio coisas que só me fazem revirar os olhos.

Tenho dias que estou com gente gira, bonita e divertida - com uma boa conversa.

Tenho dias que estou com gente insossa, escura.

Tenho dias que oiço coisas que me fazem refletir.

Tenho dias que só ouço coisas que me fazem revirar os olhos.

Tenho dias em que dou gargalhadas às adversidades.

Tenho dias que me apetece chorar à mínima contrariedade.

Tenho dias em que quero estar sozinha. Tenho dias em que quero companhia.

Tenho dias que quero silêncio. Tenho dias que quero muito barulho à minha volta.

[Tenho dias. Como todas as pessoas têm. O problema é que os dias das pessoas não são sempre todos iguais. E gerir isso… caramba]

 

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A monotonia dos dias

por Cá coisas minhas, em 23.01.17

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As semanas são chatinhas. Correria de manhã para sair de casa. Trabalhar. Trânsito para casa. Correria ao chegar ao final do dia para despachar tudo a horas decentes.

Sábado, acordar. Tratar da casa. Compras. Tratar da roupa. Miúda a pedir atenção, que eu brinque com ela. Eu, sempre a adiar porque tenho “coisas” para fazer”. A seguir ao almoço, tudo arrumado. Só me apetece relaxar, descansar. Mas miúda a pedir atenção e eu a adiar mais uma vez. Depois, claro, as birras chegam. A gestão da frustração. E eu ralho, claro, reprovo a birra. E penso, amanhã tenho que fazer diferente. No Domingo faço o mesmo. Acabo por me sentar com ela a brincar, mas com tão pouca vontade, que até me sinto culpada.

Sinto que preciso fazer qualquer coisa. Penso em inúmeras actividades para fazer com ela. Mas o desgaste da semana, a “mesmisse” do fim de semana e das coisas da casa, embrulham-se em mim de tal forma, que acabo sempre por adiar.

 

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