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Cá coisas minhas

Este é o meu blog. Onde falo sobre múltiplas coisas. As coisas que me vêem a cabeça.

Cá coisas minhas

Este é o meu blog. Onde falo sobre múltiplas coisas. As coisas que me vêem a cabeça.

14
Fev18

Estou por aqui. Mas mais sossegada.

Ana

Durante estes dias, redescobri o prazer de correr. Tenho corrido de forma assidua, e sinto-me muito bem. Cheia de força.

No final da semana passada, estava cansada. Muito cansada. Aquele cansaço psicológico que me manda mais a baixo do que o físico.

Tenho estado de férias, desde segunda. Regresso ao trabalho amanhã. A cabeça estava mesmo a pedir isto.

Tempo para mim. É o que estou a ter e a saber lindamente.

Corri muito. Fiz umas experiencias culinarias. Fui ao cinema. Sushi. Praia. Amigos. O prazer de estar sem horários.

Sinto-me nova. (Embora esteja com a garganta e ouvidos a doerem, e sinta o corpo moido. Mas isso, cura-se)

20
Nov17

O dia em que eu corri 18 km. A história.

Ana

Como já disse aqui, no sábado passado corri 18 km, em 2h06.

Desculpem lá, mas o feito para mim foi muito grande, ainda tenho muitas coisas para dizer sobre o assunto.

Assim, aqui vai o relato.

Na semana anterior corri durante 1h30. E este era o meu próximo desafio: correr durante 2h.

Tive que me preparar melhor. Sempre saí para correr sem nada. Nem água, nem gel de corrida, nem barras proteicas, nem nada. Mas no dia em que corri 1h30 percebi que tinha que organizar melhor o treino das 2h.

Assim foi. Li algumas coisas. Falei com algumas pessoas mais experientes nestas coisas.

Comprei uma cinta na qual é possível levar duas garrafinhas de água. E comprei uma barra proteica de amendoim e chocolate.

Estava pronta.

E no sábado, lá fui.

Comecei às 07h30.

Já tinha definido o percurso, de forma a que tivesse a menor elevação possível.

E comecei a correr.

Ao fim de 30 minutos, cheguei a um cruzamento e decidi “Vou antes por aqui. Corro mais meia hora e depois volto para trás".

Faltavam cerca de 10 minutos para voltar para trás e vi uma descida enorme. Pensei: “Nem pensar, vou já para trás.”

Mas de repente, passa-me uma ideia PARVA pela cabeça: “Não, vou mas é já por aqui e não volto para trás, pois este caminho também vai ter à estrada principal

E fui.

Ora, eu sabia, por ouvir dizer, que aquela parte era complicada ao nível das subidas. [Entre São João das Lampas e Santa Susana  - em Sintra]. Mas fui na mesma. O que eu nunca pensei é que fosse tão complicado.

A primeira subida ainda a fiz toda a correr.

A segunda.

A segunda deu cabo de mim. Mais de 1 km a subir.

É muito.

Fiquei de rastos.

A partir daí fui sempre a alternar corrida com caminhada. Sempre que me aparecia uma subida, só a caminhar.

Comecei a chamar-me nomes.

A dizer que aquilo era tudo uma estupidez.

Que eu não era capaz.

E que não fazia sentido aquele sofrimento todo.

Mais. Umas cólicas terríveis. E que apareciam precisamente nas subidas.

Foi quando vi que já tinha feito mais de 17 km e ainda faltava alguma distância para chegar a casa, que me “alegrei” novamente.

Quando cheguei. O Strava indicava 17 km, mas não tinha começado a contar logo no inicio. Olhei para o mapa e vi que me tinha “roubado” 1 km.

Foi quando percebi que tinha corrido 18 km, em 2h06.

É um ritmo lento (6:59) para competição.

Mas para mim, só o facto de o ter conseguido é como se tivesse ganho uma competição.

Ri às gargalhadas, enquanto procurava “vir a mim”

Depois, o mau estar físico. Estava lá todo. Vontade de vomitar. Cólicas.

Mas durou pouco.

Tomei banho.

Comi.

Ao longo do dia, as dores iam vindo. Mas como andei sempre ocupada, foi mais fácil de gerir.

À noite tive que solicitar massagens ao meu massagista particular. Tinha as pernas num oito.

No dia seguinte, tudo OK.

 

O que se segue a seguir?

Vamos ver. Vamos ver.




10
Nov17

Se eu fosse uma super mulher...

Ana

Usava os meus poderes para pôr o meu carro “mais magrinho” e passar por entre todos os bocadinhos das filas de trânsito, para chegar mais depressa na hora de ponta.

Quando o despertador tocasse, conseguia por o tempo para trás e dormir mais umas horas.

Usava o controlo da mente para fazer com que a minha filha fosse tomar banho, sem que eu tivesse que gritar dizer 10 vezes para ela o fazer.

Carregava num botão no meu relógio e deixava de ouvir as merdas aquilo que alguém estava a dizer e não me apetecia ouvir.

Fazia o tempo parar sempre que me apetecesse, apenas e só porque sim.

Usava os meus poderes para me transformar numa “super doceira” e fazer umas sobremesas lindas e deliciosas, sempre que tinha visitas lá em casa.

Tornava-me numa mulher supersónica e conseguia arrumar a casa em 30 minutos.

Criava uma máquina de passar a ferro que bastava pôr lá a roupa e ela saía já engomada e dobrada.

Tinha um botão “acelerador de tempo”, para fazer com que o tempo passasse mais depressa em partes do meu dia.

Saía de casa todos os dias com um cabelo impecável, roupa impecável, maquilhagem, unhas, etc. Mais, conseguia fazer isto tudo em 5 minutos.

 

Mas como não sou uma super mulher, sou só aquilo que consigo ser.

07
Nov17

Como iniciei a prática de condução

Ana

Já tive medo de conduzir.

Muito medo.

A minha história com a condução é longa e “de doidos”.

 

Comecei a tirar a carta de condução no último ano do meu curso. Queria despachar ambas as coisas ao mesmo tempo.

Com o código, tudo OK.

 

As aulas de condução fiz no inverno. E com um instrutor que não me transmitia segurança nenhuma. Ia fazendo palavras cruzadas e de vez em quando proferia “ai Ana, Ana”. Muito bom, hã.

Ao fim das aulas obrigatórias, sugeriu que eu devia fazer mais 10. E eu fiz, claro.

 

Fiz exame de condução no dia 26 de Dezembro de 2001. Eu e outra senhora. O instrutor pediu-me que deixasse a outra senhora fazer o exame primeiro, pois já era repetente. Deixei. [O que me irrita, pois gosto de despachar logo o que há a despachar]. A outra senhora concluiu e passou. Fiz o exame de condução. Durante uma das manobras, atrapalhei-me lá com qualquer coisa. O MEU instrutor diz “É mesmo coisas à Ana”. O examinador disse-me apenas “Pare. O que quer fazer?” Eu parei. Pensei e fiz bem. Conclui o exame e passei.

 

Sem dinheiro para comprar carro. Sem pais com carro. Nunca mais conduzi desde esse dia.

 

Comprei carro em Setembro do ano 2003. Fiz uns treinos com amigos. Fiz uns treinos com irmão. Não conseguia conduzir sozinha.

Fiz aulas de condução para treino em Outubro de 2003. 5 aulas.

Não consegui na mesma conduzir sozinha.

E desisti.

 

Tinha um carro. Mas não o conduzia.

 

Em Junho de 2008 passei por uma crise pessoal chatinha. Que me deixou ir abaixo. E de repente senti que tinha que fazer algo por mim. Mas algo assim "á séria".

 

Fiz 10 aulas de condução. Com um instrutor espectacular. Que percebeu logo qual era o meu problema - falta de confiança.

E comecei a conduzir.

E já não parei mais.

A sensação de liberdade e superação que aquilo que me fazia sentir, fez-me sair daquela crise pessoal e sentir-me uma pessoa espectacular.

Ao início, ainda com muitos nervos. Planeava bem os caminhos, percursos para onde queria ir.

 

É verdade que mesmo hoje, há sítios e percursos que evito. Manobras que não gosto de fazer.

Mas vou a todo o lado onde preciso de ir.

Não vou mentir e dizer que “adoro conduzir”.

Mas gosto sobretudo de saber que superei o meu medo e fiz o que era preciso fazer.

 

01
Set17

E setembro começa...

Ana

É tão bom começar assim...

 

Primeiro,

A rua da escolinha bloqueada com umas três carrinhas a fazer não sei o quê. Nenhum carro passava. Lá fomos nós dar a volta maior, estacionar longe e ir a pé. Miúda, carregando a sua mochila nova - um trolley da Frozen que eu disse várias vezes que era grande e que tinha que ser ela a carregar, mas quis porque quis trazer. Resultado: acho que se arrependeu logo no primeiro dia (mas não deu parte de fraca).

 

Segundo,

IMG_20170901_083551.jpg

 Acidente na IC19. Trânsito parado assim que lá entrei.

 

Tão bom.

Tinha tantas saudades disto tudo.

 

 

12
Jun17

Diversidade | Diferença | Heterogeneidade

Ana

No outro dia a minha filha brincava no parque com uma menina da idade dela. Estavam ambas sentadas e a mãe da outra estava lá ao pé. Eu estava ligeiramente afastada, deixando-a brincar e conversar.

Primeiro, critiquei mentalmente a outra mãe. Pensei, “mas que mania que têm os adultos de se meteram no meio das crianças, assim nunca estão os miúdos totalmente à vontade para fazer novas amizades”. Tão errada que eu estava.

Passado um bocado, vi um aparelho daqueles que ajudam as crianças a andar lá encostado.

Uma outra miúda foi ter com elas e insistiu para que fossem brincar à apanhada. A minha levantou-se logo. De seguida, a mãe ajudou a outra menina a levantar-se. A minha primeiro disse “não consegues andar ou quê?”. A mãe, calmamente explicou que a “x” precisava daquilo para conseguir andar. A minha filha ouviu em silêncio e no minuto seguinte, já estavam as duas a correr e a jogar à apanhada. Gargalhadas daquelas mesmo boas. Não falou mais no assunto. No final da brincadeira, despediu-se dela, como sempre faz. A outra deu-lhe um abraço mesmo apertado.

E eu pus-me a pensar. A facilidade com que as crianças desta idade lidam com a diferença, é impressionante. Querem lá saber. Elas não sentem diferente. Elas brincam de igual forma. Riem das mesmas coisas.

Porque é que depois a diferença começa a ser notada e falada? Onde é que algures na nossa vida perdemos esta capacidade?

Não tenho dúvida nenhuma que são igualmente pessoas como aquela mãe, que fazem a diferença. Que não privam a filha de nada. Que a educam exactamente nos mesmos princípios que nós educamos os nossos. E que têm esta tranquilidade em explicar às outras crianças algo de forma tão natural.

A minha irmã teve vários e sérios problemas com a fala. Nunca fiz questão de intervir quando ela falava e não a entendiam. Sempre fiquei calada, à espera que ela se fizesse entender. Sempre foi muito social e despachada. A minha mãe sempre a deixou andar à solta e a incentivou à vida social. Hoje tem muito mais vida social do que eu.

Há cerca de uns 2 anos, descobri na creche da minha filha uma criança com as mesmas dificuldades. Um dia a mãe no meio de uma conversa diz-me “ele tem problemas”. Saí nesse dia de lá numa revolta que só visto. Problemas tem certamente a senhora. E aquele miúdo com aquela mãe também os terá. Mas não os que ela julga que ele tem.

Nesta creche onde ela está agora, está lá uma menina com síndrome de down. Se a minha filha nota alguma coisa de diferente naquela menina? Não. Perfeitamente autónoma e a fazer as mesmas coisas que os outros. Lá está, mais uma vez porque tem uns pais que incentivam isso mesmo.

A minha filha brinca diariamente com crianças com diferentes cores de pele. Com pais de diferentes países. Com culturas diferentes. Umas com cabelo louro. Outras castanho. Umas com óculos. Outras sem eles. Mas todas correm. Todas riem. Todas brincam. Todas fazem plasticinas. Todas cantam músicas. Todas fazem birras. Todas choram. Todas são diferentes e todas são iguais.

Volto a dizer. Não sei onde perdemos esta capacidade e quando começamos a complicar o que não tem complicação. Mas gostava muito que ela se mantivesse assim. Farei o que conseguir para isso.

 

09
Mai17

As memórias também são isto

Ana

Há sabores que nos ficam guardados nas memórias.

As favas da minha avó. Nunca mais consegui gostar de favas. Ninguém faz igual a ela.

Os queques do café do Sr. António. Ir almoçar ao Sr. António e comer uma fatia de molotov.

As pizzas da telepizza que eu e minha irmã conseguíamos convencer a minha avó a encomendar. [Eu sei que ainda há telepizza, mas já não sabem como aquelas]

A mousse instantânea de chocolate.

Uns biscoitos pequeninos chamados beijinhos [Que agora a miúda adora, mas eu nem os consigo comer]

Os bolos que o meu padrinho trazia da pastelaria onde era pasteleiro - pasteis de nata para o meu irmão e bolas de berlim para mim.

Sopa de feijão verde da avó. Que eu não gostava. Continuo a não gostar. O cheiro daquela sopa era único e ficou gravado para sempre em mim.

O bolo de chocolate da minha tia.

O pêssego em lata da outra avó.

Tantos. Não recuperáveis. Impossíveis de os igualar. Mas se fosse possível os ir buscar, certamente me trariam conforto.

As memórias também são isto. Feitas disto. E não se esquecem. Ficam guardadas ali no cantinho das coisas boas. Coisas que quando vividas, julgávamos não ter importância nenhuma. E que no presente atingem o estatuto de porto seguro.

 

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