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Como já disse aqui, no sábado passado corri 18 km, em 2h06.

Desculpem lá, mas o feito para mim foi muito grande, ainda tenho muitas coisas para dizer sobre o assunto.

Assim, aqui vai o relato.

Na semana anterior corri durante 1h30. E este era o meu próximo desafio: correr durante 2h.

Tive que me preparar melhor. Sempre saí para correr sem nada. Nem água, nem gel de corrida, nem barras proteicas, nem nada. Mas no dia em que corri 1h30 percebi que tinha que organizar melhor o treino das 2h.

Assim foi. Li algumas coisas. Falei com algumas pessoas mais experientes nestas coisas.

Comprei uma cinta na qual é possível levar duas garrafinhas de água. E comprei uma barra proteica de amendoim e chocolate.

Estava pronta.

E no sábado, lá fui.

Comecei às 07h30.

Já tinha definido o percurso, de forma a que tivesse a menor elevação possível.

E comecei a correr.

Ao fim de 30 minutos, cheguei a um cruzamento e decidi “Vou antes por aqui. Corro mais meia hora e depois volto para trás".

Faltavam cerca de 10 minutos para voltar para trás e vi uma descida enorme. Pensei: “Nem pensar, vou já para trás.”

Mas de repente, passa-me uma ideia PARVA pela cabeça: “Não, vou mas é já por aqui e não volto para trás, pois este caminho também vai ter à estrada principal

E fui.

Ora, eu sabia, por ouvir dizer, que aquela parte era complicada ao nível das subidas. [Entre São João das Lampas e Santa Susana  - em Sintra]. Mas fui na mesma. O que eu nunca pensei é que fosse tão complicado.

A primeira subida ainda a fiz toda a correr.

A segunda.

A segunda deu cabo de mim. Mais de 1 km a subir.

É muito.

Fiquei de rastos.

A partir daí fui sempre a alternar corrida com caminhada. Sempre que me aparecia uma subida, só a caminhar.

Comecei a chamar-me nomes.

A dizer que aquilo era tudo uma estupidez.

Que eu não era capaz.

E que não fazia sentido aquele sofrimento todo.

Mais. Umas cólicas terríveis. E que apareciam precisamente nas subidas.

Foi quando vi que já tinha feito mais de 17 km e ainda faltava alguma distância para chegar a casa, que me “alegrei” novamente.

Quando cheguei. O Strava indicava 17 km, mas não tinha começado a contar logo no inicio. Olhei para o mapa e vi que me tinha “roubado” 1 km.

Foi quando percebi que tinha corrido 18 km, em 2h06.

É um ritmo lento (6:59) para competição.

Mas para mim, só o facto de o ter conseguido é como se tivesse ganho uma competição.

Ri às gargalhadas, enquanto procurava “vir a mim”

Depois, o mau estar físico. Estava lá todo. Vontade de vomitar. Cólicas.

Mas durou pouco.

Tomei banho.

Comi.

Ao longo do dia, as dores iam vindo. Mas como andei sempre ocupada, foi mais fácil de gerir.

À noite tive que solicitar massagens ao meu massagista particular. Tinha as pernas num oito.

No dia seguinte, tudo OK.

 

O que se segue a seguir?

Vamos ver. Vamos ver.




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Se eu fosse uma super mulher...

por Ana, em 10.11.17

Usava os meus poderes para pôr o meu carro “mais magrinho” e passar por entre todos os bocadinhos das filas de trânsito, para chegar mais depressa na hora de ponta.

Quando o despertador tocasse, conseguia por o tempo para trás e dormir mais umas horas.

Usava o controlo da mente para fazer com que a minha filha fosse tomar banho, sem que eu tivesse que gritar dizer 10 vezes para ela o fazer.

Carregava num botão no meu relógio e deixava de ouvir as merdas aquilo que alguém estava a dizer e não me apetecia ouvir.

Fazia o tempo parar sempre que me apetecesse, apenas e só porque sim.

Usava os meus poderes para me transformar numa “super doceira” e fazer umas sobremesas lindas e deliciosas, sempre que tinha visitas lá em casa.

Tornava-me numa mulher supersónica e conseguia arrumar a casa em 30 minutos.

Criava uma máquina de passar a ferro que bastava pôr lá a roupa e ela saía já engomada e dobrada.

Tinha um botão “acelerador de tempo”, para fazer com que o tempo passasse mais depressa em partes do meu dia.

Saía de casa todos os dias com um cabelo impecável, roupa impecável, maquilhagem, unhas, etc. Mais, conseguia fazer isto tudo em 5 minutos.

 

Mas como não sou uma super mulher, sou só aquilo que consigo ser.

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Já tive medo de conduzir.

Muito medo.

A minha história com a condução é longa e “de doidos”.

 

Comecei a tirar a carta de condução no último ano do meu curso. Queria despachar ambas as coisas ao mesmo tempo.

Com o código, tudo OK.

 

As aulas de condução fiz no inverno. E com um instrutor que não me transmitia segurança nenhuma. Ia fazendo palavras cruzadas e de vez em quando proferia “ai Ana, Ana”. Muito bom, hã.

Ao fim das aulas obrigatórias, sugeriu que eu devia fazer mais 10. E eu fiz, claro.

 

Fiz exame de condução no dia 26 de Dezembro de 2001. Eu e outra senhora. O instrutor pediu-me que deixasse a outra senhora fazer o exame primeiro, pois já era repetente. Deixei. [O que me irrita, pois gosto de despachar logo o que há a despachar]. A outra senhora concluiu e passou. Fiz o exame de condução. Durante uma das manobras, atrapalhei-me lá com qualquer coisa. O MEU instrutor diz “É mesmo coisas à Ana”. O examinador disse-me apenas “Pare. O que quer fazer?” Eu parei. Pensei e fiz bem. Conclui o exame e passei.

 

Sem dinheiro para comprar carro. Sem pais com carro. Nunca mais conduzi desde esse dia.

 

Comprei carro em Setembro do ano 2003. Fiz uns treinos com amigos. Fiz uns treinos com irmão. Não conseguia conduzir sozinha.

Fiz aulas de condução para treino em Outubro de 2003. 5 aulas.

Não consegui na mesma conduzir sozinha.

E desisti.

 

Tinha um carro. Mas não o conduzia.

 

Em Junho de 2008 passei por uma crise pessoal chatinha. Que me deixou ir abaixo. E de repente senti que tinha que fazer algo por mim. Mas algo assim "á séria".

 

Fiz 10 aulas de condução. Com um instrutor espectacular. Que percebeu logo qual era o meu problema - falta de confiança.

E comecei a conduzir.

E já não parei mais.

A sensação de liberdade e superação que aquilo que me fazia sentir, fez-me sair daquela crise pessoal e sentir-me uma pessoa espectacular.

Ao início, ainda com muitos nervos. Planeava bem os caminhos, percursos para onde queria ir.

 

É verdade que mesmo hoje, há sítios e percursos que evito. Manobras que não gosto de fazer.

Mas vou a todo o lado onde preciso de ir.

Não vou mentir e dizer que “adoro conduzir”.

Mas gosto sobretudo de saber que superei o meu medo e fiz o que era preciso fazer.

 

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"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo" 

José Saramago

 

Tão simples.

Tão forte.

Tão directo.

Tão isto.

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E setembro começa...

por Ana, em 01.09.17

É tão bom começar assim...

 

Primeiro,

A rua da escolinha bloqueada com umas três carrinhas a fazer não sei o quê. Nenhum carro passava. Lá fomos nós dar a volta maior, estacionar longe e ir a pé. Miúda, carregando a sua mochila nova - um trolley da Frozen que eu disse várias vezes que era grande e que tinha que ser ela a carregar, mas quis porque quis trazer. Resultado: acho que se arrependeu logo no primeiro dia (mas não deu parte de fraca).

 

Segundo,

IMG_20170901_083551.jpg

 Acidente na IC19. Trânsito parado assim que lá entrei.

 

Tão bom.

Tinha tantas saudades disto tudo.

 

 

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Ai ai. Só a mim.

por Ana, em 06.07.17

Qual é a pessoa que deixa as janelas do carro abertas à noite, deixando entrar chuva e consequentemente ficando os bancos todos molhados?

Eu, pois claro.

E ainda, julgando que é coisa pouca, sento-me nos mesmos, sem por algo por cima. 

E faço o percurso casa trabalho, nestes "preparos".

Digamos que estou "fresquinha".

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No outro dia a minha filha brincava no parque com uma menina da idade dela. Estavam ambas sentadas e a mãe da outra estava lá ao pé. Eu estava ligeiramente afastada, deixando-a brincar e conversar.

Primeiro, critiquei mentalmente a outra mãe. Pensei, “mas que mania que têm os adultos de se meteram no meio das crianças, assim nunca estão os miúdos totalmente à vontade para fazer novas amizades”. Tão errada que eu estava.

Passado um bocado, vi um aparelho daqueles que ajudam as crianças a andar lá encostado.

Uma outra miúda foi ter com elas e insistiu para que fossem brincar à apanhada. A minha levantou-se logo. De seguida, a mãe ajudou a outra menina a levantar-se. A minha primeiro disse “não consegues andar ou quê?”. A mãe, calmamente explicou que a “x” precisava daquilo para conseguir andar. A minha filha ouviu em silêncio e no minuto seguinte, já estavam as duas a correr e a jogar à apanhada. Gargalhadas daquelas mesmo boas. Não falou mais no assunto. No final da brincadeira, despediu-se dela, como sempre faz. A outra deu-lhe um abraço mesmo apertado.

E eu pus-me a pensar. A facilidade com que as crianças desta idade lidam com a diferença, é impressionante. Querem lá saber. Elas não sentem diferente. Elas brincam de igual forma. Riem das mesmas coisas.

Porque é que depois a diferença começa a ser notada e falada? Onde é que algures na nossa vida perdemos esta capacidade?

Não tenho dúvida nenhuma que são igualmente pessoas como aquela mãe, que fazem a diferença. Que não privam a filha de nada. Que a educam exactamente nos mesmos princípios que nós educamos os nossos. E que têm esta tranquilidade em explicar às outras crianças algo de forma tão natural.

A minha irmã teve vários e sérios problemas com a fala. Nunca fiz questão de intervir quando ela falava e não a entendiam. Sempre fiquei calada, à espera que ela se fizesse entender. Sempre foi muito social e despachada. A minha mãe sempre a deixou andar à solta e a incentivou à vida social. Hoje tem muito mais vida social do que eu.

Há cerca de uns 2 anos, descobri na creche da minha filha uma criança com as mesmas dificuldades. Um dia a mãe no meio de uma conversa diz-me “ele tem problemas”. Saí nesse dia de lá numa revolta que só visto. Problemas tem certamente a senhora. E aquele miúdo com aquela mãe também os terá. Mas não os que ela julga que ele tem.

Nesta creche onde ela está agora, está lá uma menina com síndrome de down. Se a minha filha nota alguma coisa de diferente naquela menina? Não. Perfeitamente autónoma e a fazer as mesmas coisas que os outros. Lá está, mais uma vez porque tem uns pais que incentivam isso mesmo.

A minha filha brinca diariamente com crianças com diferentes cores de pele. Com pais de diferentes países. Com culturas diferentes. Umas com cabelo louro. Outras castanho. Umas com óculos. Outras sem eles. Mas todas correm. Todas riem. Todas brincam. Todas fazem plasticinas. Todas cantam músicas. Todas fazem birras. Todas choram. Todas são diferentes e todas são iguais.

Volto a dizer. Não sei onde perdemos esta capacidade e quando começamos a complicar o que não tem complicação. Mas gostava muito que ela se mantivesse assim. Farei o que conseguir para isso.

 

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As memórias também são isto

por Ana, em 09.05.17

Há sabores que nos ficam guardados nas memórias.

As favas da minha avó. Nunca mais consegui gostar de favas. Ninguém faz igual a ela.

Os queques do café do Sr. António. Ir almoçar ao Sr. António e comer uma fatia de molotov.

As pizzas da telepizza que eu e minha irmã conseguíamos convencer a minha avó a encomendar. [Eu sei que ainda há telepizza, mas já não sabem como aquelas]

A mousse instantânea de chocolate.

Uns biscoitos pequeninos chamados beijinhos [Que agora a miúda adora, mas eu nem os consigo comer]

Os bolos que o meu padrinho trazia da pastelaria onde era pasteleiro - pasteis de nata para o meu irmão e bolas de berlim para mim.

Sopa de feijão verde da avó. Que eu não gostava. Continuo a não gostar. O cheiro daquela sopa era único e ficou gravado para sempre em mim.

O bolo de chocolate da minha tia.

O pêssego em lata da outra avó.

Tantos. Não recuperáveis. Impossíveis de os igualar. Mas se fosse possível os ir buscar, certamente me trariam conforto.

As memórias também são isto. Feitas disto. E não se esquecem. Ficam guardadas ali no cantinho das coisas boas. Coisas que quando vividas, julgávamos não ter importância nenhuma. E que no presente atingem o estatuto de porto seguro.

 

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Escrever, para reviver

por Ana, em 02.05.17

Fim de semana dos bons.

Agitado. Cheio de emoções. Programa com adultos e crianças. Estar com amigos. Conversar. Beber um bom vinho com o sol a aquecer a cara. “Segunda geração” a conviver. Som de fundo: gargalhadas [de miúdos e graúdos] Aproveitar o dia todo. Sentir o sol. Passear. Conversar. Partilhar ideias, sentimentos, opiniões. Estar com quem se gosta de estar. Chegar a casa já de noite, com a miúda a dormir [rota, feliz, divertida]

Amanhecer com chuva. Decidir por um dia tranquilo. Ir à feira da vila. Comprar frutas. [Para fazer sumos, cheios de cor a lembrar a primavera e a ignorar a chuva]. Comprar “beijinhos” e ver lábios e mãos pequeninas amarelas e rosas. Tarde de sofá com chuva. Afinal a chuva vai embora. Correr 10 km. Superar-me mais uma vez. Fazer um bolo com mãos pequeninas. Lanchar. Jantar. Deitar a miúda. Deitar no sofá a ver um filme e adormecer quase quase no início. Acordar no fim. [Já é um clássico]

Começar o mês de maio com aniversário de sobrinho. 5 anos, caramba. O tempo passa mesmo a correr. Ver a alegria da miúda a entregar a prenda ao primo. Ver a alegria do sobrinho a abrir a prenda. Ver os primos a interagirem mais e cada vez mais. Ver o sobrinho a ficar crescido, mais comunicativo [os dinossauros são do antigamente, fui informada]. Chegar mais uma vez a casa com a miúda já a dormir [igualmente rota, feliz e divertida]

Ler. Adormecer. E acordar hoje as 05h10 para mais uma corrida.

Pois que a primavera se instale de vez. Que o verão chegue. Que os dias cheios de cor, risos, vozes e amigos se multipliquem. [Quero mais disto]

 

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Também tenho que falar disto

por Ana, em 20.04.17

Custa-me falar deste assunto, porque a dor que aqueles pais estão a sentir será demasiada, para ser enxovalhada como tem sido.

Depressa vieram as ofensas, as acusações. “Os cavaleiros da verdade”, cheios das suas sabedorias.

Sei, que seja porque motivo for, qualquer pai que decide não vacinar os filhos, o faz por achar que é a melhor opção para os seus filhos. Não concordo. E não vou dizer que aceito, porque também não é verdade.

As opções que cada um toma relativamente aos seus filhos, só a eles diz respeito, é certo. Mas no que diz respeito a este assunto, não diz respeito só a eles. Porque estão inseridos numa comunidade, e isto é o tipo de coisas que também afecta os outros. E de que maneira.

Há quem opte pela não vacinação, porque escolhem (segundo os próprios) uma alternativa de vida mais saudável, pura e limpa. Mas também há aqueles que, por uma reacção adversa de uma vacina, ficam com medo de outras reacções e não vacinam mais. Má informação. É a base disto. Correntes alternativas a divulgarem ideias falsas e perigosas. Pessoas aflitas, sem acesso a informação de qualidade, que as faz tomar decisões deste género.

É impressionante, como nos dias que correm, com a informação toda que há, se façam coisas deste género. Mas lá está, o perigo também está no excesso de informação. Porque hoje em dia, toda a gente sabe tudo. Toda a gente vai ao google e tem acesso a tudo. E depois, decidem por eles próprios. Não é esse o fim do desenvolvimento da informação, mas é o perigo que está lado a lado com ela.

A ciência tem evoluído muito. E com certeza vai evoluir mais. Doenças do passado que matavam, estão erradicadas dos dias de hoje. E porquê? Porque, graças à ciência, tomamos vacinas, tomamos antibióticos. Temos produtos mais processados? Temos. Mas se aí, faz sentido escolhermos e optarmos por aquilo que é mais favorável ao nosso organismo, há outras coisas com as quais as decisões não podem ser assim tão ligeiras. Pior ainda quando são coisas que não nos afectam só a nós, mas também os outros. Lá está, a nossa liberdade termina, quando começa o espaço do outro.

Posto isto, defendo a vacinação. E defendo, que nenhuma criança que não esteja vacinada, possa se inscrever numa creche, colégio, escola pública, jardim de infância, etc. Há coisas que têm que ser obrigatórias. Tudo o que diz respeito à vida, tem que ser obrigatório. E esta obrigatoriedade, vai fazer com que aqueles pais que optam pela não vacinação, tenham acesso a informação factual e de qualidade.

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