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Manias

por Ana, em 03.11.17

ma·ni·a

(grego manía, -as, loucura, entusiasmo, paixão)

substantivo feminino

  1. Apego excessivo ou obsessivo a uma .ideia ou intenção; aferro a uma .ideia fixa. = FIXAÇÃO, OBSTINAÇÃO
  2. [Por extensão] Capricho, teima.
  3. Desejo imoderado.

 

"manias", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha],

 

Todos nós temos manias.

Coisas que queremos fazer sempre.

Coisas que queremos que sejam feitas sempre de uma determinada maneira.

Coisas que nos recusamos a fazer/experimentar.  

Ideias que criamos sobre determinado assunto/sítio/pessoas.

 

Manias.

 

Conforme “a mania” em causa, atribuímos o significado acima.

És de ideias fixas

Tão teimoso(a)

Isso é só capricho

É tão obstinada(o) esta minha miúda(a)

"Lá estás tu com as tuas manias"

 

São algumas das frases que ouvimos e dizemos.

A questão que eu coloco é: São coisas que até conseguimos mudar, ou é algo que está de tal forma enraizado, que Nós (o autor da mania), nem o vê como mania, mas sim como “assim é que tem quer ser?

Depende da vontade não é? E também depende da mania.

E depende muito da capacidade que nós temos de olhar para “dentro” e rir-mos de nós próprios.

 

Eu tenho algumas manias. [Este post vai sair-me "caro" ]

Coisas que sinceramente para mim, eu até acho básicas, mas que no fundo no fundo são “manias”.

Por exemplo, faz-me alguma confusão: sapatos espalhados pela casa; portas e gavetas de armários abertos; coisas espalhadas à toa em cima dos móveis; loiça suja fora do lava-loiça.

Irrita-me imenso quando planeio alguma coisa e segundos (ou terceiros e quartos, …) não me permitem fazer as coisas conforme planeei.

Tenho uma rotina de manhã e outra ao final do dia, que considero essencial (e fico muito chatinha se não a seguem).

Gosto de fazer as coisas á minha maneira e quando é para fazer é para fazer.

 

São tudo manias no fundo.

Às vezes cedo.

Outras nem por isso.

 

Agora, quando vejo a minha miúda a imitar-me (às vezes deliberadamente, outras enquanto brinca sozinha), relembro estas minhas coisinhas e dá-me vontade de rir. E também percebo que há manias que eu tenho que mudar. Respirar fundo, relaxar e deixar para lá.

 

Mas depois há aquelas coisas que a pessoa por mais que queira, não consegue não é. Quer dizer, náo é por mais que queira, porque no fundo não quer. Eheheheheheh. É isso, percebem-me não é. 

E por aí? Há muitas manias?

 

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Momentos e Experiências

por Ana, em 13.10.17

mo·men·to

substantivo masculino

  1. Espaço pequeníssimo (mas indeterminado) de tempo.
  2. Curta duração.
  3. Lance, ocasião.
  4. Ocasião oportuna.
  5. [Mecânica] Produto de um braço de alavanca pelo peso que se lhe aplica perpendicularmente.
  6. Produto de uma força por uma distância qualquer.
  7. Produto da massa pela quantidade de movimento.

adjetivo

  1. Que faz momices.

"momento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 

 

ex·pe·ri·ên·ci·a |eis| ou |es|

(latim experientia, -ae, ensaio, prova, tentativa)

substantivo feminino

  1. .Ato de experimentar.
  2. Ensaio.
  3. Tentativa.
  4. Conhecimento adquirido por prática, estudos, observação, etc.; experimentação.

homem de experiência

  • Homem conhecedor das coisas da vida.

"experiência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,

 

A vida é feita de momentos.

Somos marcados por momentos.

As nossas memórias, estão cheias de momentos. Bons ou maus. Mas momentos. Que nos marcaram. Que nos tocaram. Que nos deixaram algo. Só esses é que ficam.

A nossa vida é um sucedâneo de momentos. Em nenhum, é possível fazer rewind. O que está feito, feito está. O que se viveu, não é possível viver outra vez. Apenas relembrar. Recordar aqueles momentos.

 

E experiências.

A vida é vivida por experiências.

Umas boas. Outras más. Mas experiências.

Umas marcam. Essas nós arrumamos no campo das memórias, nos momentos.

Outras, nem por isso. Ficam na mente a vaguear, e costumam desaparecer.

 

Nós somos o quê?

Aquilo que somos num dado momento?

Ou

O somatório daquilo que acumulamos com as nossas experiências?

Sei que todos (ou quase todos) apontam para a segunda hipótese.

No entanto, é muitas vezes aquilo que somos num dado momento que fica como sendo nós. [E nem estou a falar das primeiras impressões].

Às vezes um momento, é tudo quanto baste para apagar da mente todas as experiências que se tem com aquela pessoa. Quer num sentido positivo, como negativo.

 

Por isso pergunto, o que é mais forte: o momento ou a experiência?



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im·pres·cin·dí·vel

(im- + prescindível)

adjetivo de dois gêneros

De que se não pode prescindir. = INDISPENSÁVELPRESCINDÍVEL

 

"imprescindível", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 

 

O que é para imprescindível?

Coisas?

Pessoas?

Sítios?

Sentimentos?

O que significa a palavra imprescindível?

Aparentemente, todos sabem.

Mas parece-me que esta é uma daquelas palavras, tantas vezes ditas, mas sem se pensar muito no seu verdadeiro significado.

 

Para mim é imprescindível dormir x horas

É imprescindível férias

É imprescindível ter um carro

É imprescindível comprar um vestido preto

“Preciso de tempo para mim. É imprescindível

 

Será?

Parece-me a mim que imprescindível significa “não consigo viver sem”. E se formos ver bem as coisas, grande parte das coisas referidas acima são prescindíveis.

Não farei deste post uma crítica aos bens ou à futilidade das pessoas.

Ao fim e ao cabo, nós habituamo-nos às coisas, às pessoas, às sensações. Naturalmente, que com o passar do tempo, as assumimos como fazendo parte da nossa vida, e logo passam a ser imprescindíveis.

[Nos dias que fiquei sem carro, ia dando em maluca, por exemplo]

Quanto a mim, posso dizer que neste momento há pouquíssimas coisas que considero imprescindíveis.

No entanto, há pessoas que me são imprescindíveis.

E há sensações das quais eu não prescindo.

 

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in·dig·na·ção

(latim indignatio, -onis)

substantivo feminino

  1. .Ato ou efeito de se indignar.
  2. Sentimento de fúria ou desprezo, geralmente provocado por algo considerado ofensivo, injusto ou .incorreto. = AGASTAMENTO
  3. [Por extensão] Ira, ódio, raiva.

"indignação", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,

Face às notícias que surgiram ontem por todo lado, sobre o vídeo partilhado nas redes sociais onde uma rapariga terá sido alegadamente violada num autocarro, com vários outros jovens (rapazes e raparigas) a assistirem e a incentivarem, este é o sentimento que me vai na alma.

Para ser mais precisa, aquilo que é referido no ponto 3 “Ira, ódio, raiva”

Por tudo e por todos. Pelo acto. Por quem fez. Por quem viu. Por quem publicou o vídeo. Por quem viu o vídeo. Por quem partilhou o vídeo.

Não consigo compreender. Juro que não consigo compreender. Como é possível tamanha barbaridade. Aliás, como é possível alguém ver uma coisa destas e achar engraçado, não considerar uma barbaridade.

Isto só dá vontade é de bater com a porta e ir embora. Desistir da humanidade. Mas não sendo possível, era pegar nesta gente toda e dar-lhes tantas, mas tantas chapadas. E ainda era pouco.

Enfim, olha. Nem consigo dizer nada de positivo e educativo. [Gentinha de m****]

 

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hu·ma·ni·da·de

(latim humanitas, -atis)

substantivo feminino

  1. O conjunto dos homens.
  2. Natureza humana.
  3. .Gênero humano.
  4. Bondade.
  5. Benevolência, compaixão.

"humanidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/humanidade 

 

Ao ler este artigo, reflecti sobre algo que me tem sempre afligido: a falta da humanidade na humanidade. Confuso? Eu explico.

[Mas preparem-se porque a reflexão vai ser longa e vai bater em muitas coisas]

Não tive a minha filha neste hospital, mas em outro (igualmente público). E apesar de não ser totalmente igualmente ao que aqui está descrito, e apesar de ter corrido tudo muito bem, e ter encontrado bons médicos e enfermeiros (no geral, vá), não são dias (5, para ser mais precisa) que recorde com alegria. Para já, assume-se que se és mãe (mesmo que seja à dois minutos) tens que saber tudo. Depois, o espaço é pequeno e partilhado por várias (éramos três). Depois, o pai só pode estar contigo das 12h as 20h (como é que vais tomar o pequeno almoço, tomar banho, casa de banho, etc… e deixas a tua filha ali sozinha???). Depois a médica observa-te TODOS os dias e NÃO TROCA UMA ÚNICA PALAVRA CONTIGO. Depois, HÁ SEMPRE bebés a chorar (seja o teu, seja o do lado, seja o do quarto lá no fundo do corredor) e tu não consegues dormir (tive 5 dias naquele hospital, 4 noites sem dormir, repito 4h de privação de sono).

A saga continuou depois de sairmos de lá: no centro de saúde. Todas as vezes que fui às vacinas, senti-me “mais uma que vem para aqui chatear”. A minha filha ficou com uma médica de família, à qual ainda fomos a algumas consultas (mantendo no entanto sempre consultas com o pediatra). Mas cada vez que lá ia, a médica era mal disposta, falava comigo como se eu fosse burra e tivesse a obrigação de fazer/saber tudo o que ela lá entendia.

Posto isto tudo, evito o máximo que posso consultas ou outras coisas do género no sector público. “Armada em rica”, há quem o considere. Ou “armada em esquisita”, porque tecnicamente falando não tenho nada de negativo a referir em qualquer uma das situações que vivi. Mas a falta de humanidade esteve sempre presente. E é isto que me tira do sério. Porque as pessoas exigem tudo e mais alguma coisa. A ciência evolui, a informação evolui, tudo evolui, menos os homens. As pessoas exigem bons carros, bons telemóveis, boas instalações, bons médicos, bons professores, boas casas, boas roupas. Tudo giro, agradável e competente (não, para sermos sinceros, não, o que querem é o melhor "especialista da praça", lá que seja competente isso é outra história).

Não tenho nada a ver com as opções de cada um. Repito, não tenho nada a ver com as opções de cada um. Mas choca-me que as pessoas não exijam mais para elas próprias. [Revolta-me acima de tudo, aqueles que julgam que o dinheiro é tudo. “Não és rica, não tens dinheiro para exigir, pois não? Então come e cala”.]

Esta falta da humanidade vê-se em muitas mais outras coisas. Na falta de capacidade de se colocar no lugar do outro. Na falta de respeito pelo outro, que na maior parte das vezes nem é entendida como tal, é mais do género “então, é a minha opinião”, ou “eu digo/faço o que eu quero”, ou “que mal tem????”. O egoísmo sobrepõe-se a tudo.

Eu não sou rica. Não tenho efectivamente dinheiro para exigir tudo aquilo que gostaria. Mas sou muito exigente com aquilo que quero para mim e para os meus. E esta falta de humanidade, seja dirigida a mim, seja dirigida aqueles que me são mais próximos, é das coisas que me faz mais moer a alminha.

A humanidade evolui. Mas a humanidade das pessoas está em vias de extinção. E o que é mais grave ainda, quanto a mim, é que a maior parte das pessoas, nem vê isso.

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O que é a frustração?

Dizem os psicólogos que frustração é o que acontece quando não satisfazemos uma necessidade. Quando empreendemos vários esforços, no sentido de alcançar algo, mas não conseguimos.

O que sentimos? Tristeza. Raiva (ás vezes). Angústia.

Frustração também é remar remar remar, e não sair do mesmo sítio.

Fica muito energia acumulada, o que faz com que se instale um grande nevoeiro e fica muito difícil ver algo para além disso.

A reacção é física. O nosso organismo desequilibra-se. Agita-se. E o sentimento vai se espalhando pelo corpo todo.

 

“Frustração adoece o corpo, a mente, a alma, deforma os olhos cristalizando o verbo do mal em atos” (Mônicka Christi)

 

A questão é: como se sai deste estado? Com paciência, dirão uns. Com força de vontade, dirão outros. Porque tem que se aprender e andar para a frente, dirão muitos também.

Concordo com todas.

Mas agora vamos recuar um pouco. Com as birras das crianças, como fazemos? Quando elas estão tão frustradas e zangadas, que só choram e gritam? As palavras de calma, resultam? Mostrar compreensão, resulta? (Vá, as vezes até sim). Mas o que resulta (na maior parte das vezes) é “mudar de cenário”, desviar a atenção para outro assunto.

Pois é. É este o comportamento que para mim faz mais sentido. Mudar o foco. Não é dizer, não vou pensar mais nisto. É entreter a mente com outra coisa.

É óbvio que cada caso é um caso. E que nalguns casos é mais fácil do que outros. Mas julgo que tudo é uma questão de treino. Primeiro vamos fazendo por obrigação, e depois acaba por fluir naturalmente.

 

[Tristes aqueles, que em vez de mudar o foco, descarregam a sua frustração nos outros, projectando nos outros aquilo que eles não conseguem para eles]

 

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Não percebo as pessoas. Aquelas que dizem tudo o que lhes vem a cabeça, a boca melhor dizendo. Que se dizem frontais.

Mas depois, a quem ninguém lhes pode dizer nada. Que se defendem automaticamente com o ataque. Mais uma vez a serem frontais. Porque nunca ficam com nada por dizer.

Lamento. Isso não é frontalidade. É falta de bom senso. Nalguns casos, até me atrevo a dizer de educação, mas vá nem sempre.

Vamos lá ver. Frontalidade é uma coisa. Assertividade é outra bem diferente. Frontal é aquele que diz o que quer e bem lhe apetece, sem querer saber do outro. Assertivo é aquele que diz o que pensa, mas sem ferir o outro, que é capaz de se colocar no lugar do outro.

Mas aqui é que está o problema maior. É esta dificuldade que as pessoas têm em se colocar no lugar do outro. Porque “eu penso…”, porque “eu sei que…”, porque “eu estou muito triste…”, porque “eu estou muito feliz…”. Porque “eu sou sincero, digo aquilo que penso…”.

Enfim. [Mas continuo sem vos perceber].

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