Contudo foi difícil na mesma. O mínimo descuido numa direcção e era um 31 para voltar atrás. E íamos bem devagarinho para as miúdas não enjoarem.
Mais uma viagem entre montanhas. Cerca de 1h30 para fazer 56 km. Surreal.
A Marta acordou, e adivinhem? Choro intenso seguido de vomitado. Parámos o carro. Molhamos-lhe a cara e ela ficou um pouco mais aliviada. Estávamos quase a chegar.
(Os meus ouvidos continuavam cheios de ar e eu fazer um esforço enorme para também não desatar aos gritos a dizer "mas quando é que isto acaba?").
Passámos por Arganil mas não parámos. Lindíssimo também.
E finalmente chegámos ao nosso destino: Vila Nova de Ceira, Góis. Tínhamos alugado uma casa no booking. E a casa era espectacular. Já não saímos.
No dia seguinte fomos até à praia fluvial. Tão lindo. Água tranquila. Pouquíssima gente.
Depois de almoço e sesta da Marta, voltámos. Já lá estava muito mais gente, mas ainda assim muito agradável. Até a Martinha brincou na água. A Maria esteve o tempo todo dentro de água. E foi um martírio para a convencer a sair.
Há que desfadigar. E esta semana vou vos contar como foi a semana anterior (primeira das férias).
Saímos de casa na 2° feira, por volta das 8h.
Parámos na Ericeira para tomar o pequeno almoço e antes das 9h partimos rumo ao nosso destino.
Parámos em Pombal para esticar as pernas. A Marta já estava a ficar bem rabugenta. Depois de ambas comerem uma frutinha, WC, e a Marta dar uma festinha a um cão gigante (da raça do scooby doo) voltámos para o carro e a Marta adormeceu.
O primeiro destino era Benfeita. Queríamos ir ver a Fraga da Pena. Mas a estrada com tantas curvas e contra curvas, enganou-nos. Vimos uma seta para o Piodão e pensámos "Olha, vamos lá conhecer."
As miúdas, claro, já fartas de carro.
Mas o "pior" ainda estava para vir.
1h a subir a altitude máxima. Curvas e mais curvas. Eu com os ouvidos cheios de ar, a cabeça quase a explodir. A Marta desata a chorar a gritar "paiiiiii" e vomita. A Maria começa também a chorar e a perguntar "porque é que nunca mais chegamos? ". O homem a conduzir e eu a olhar para o GPS e a tentar gerir os choros. Nem sequer dava para parar. A Marta lá se conseguiu acalmar e voltou a pôr a chucha.
Chegámos. E caramba. Se aquilo é bonito. Parece um postal. Afinal era o melhor que ainda estava para vir.
Almoçamos por lá.
Passeámos.
É mesmo muito bonito. Publiquei um vídeo no Instagram.
Aproveitamos o fim de semana na "nossa" praia: Praia de São Julião.
É mesmo pertinho da nossa casa e gostamos de ir para lá.
A água é fria, e o mar é bravo.
Mas tem pouca gente (principalmente à hora que vamos, somos os primeiros chegar à praia).
A Marta ainda não consegue andar na areia. Mas na areia molhada, ao segundo dia, já puxava a nossa mão para ir para a água. Tremia de frio mas super animada.
A Maria também adora andar por ali. Nem que seja só para molhar os pés, correr ou fazer castelos de areia já vale bem a pena.
Para começo de conversa, deu a si própria um novo nome. Sabe perfeitamente que é Marta e responde pelo nome, mas quando quer referir-se a ela própria diz "ótubá". Pois! Não sei explicar. Nós repetimos "Marta" e ela repete "ótubá" e assim sucessivamente.
Todos os homens que ela vê diz que são "pai". E pois claro, todas as mulheres são "mãe". Todos os bebés são "bebés" [Ehhhhhh] Todas as crianças meninas são "nana". Os rapazes ela fica confusa e só aponta.
E eu vou dizendo "é o senhor/a", "é a menina/o".
Comer é "hum". O que também se aplica a dormir - também diz que é "hum". Mas aquilo que come já é "papa".
Tudo o que é de beber é "água": leite, água, sumos. Vai tudo corrido a água, e quando não acertamos no que ela quer diz "outro água" [ou "outro papa", caso seja de comer].
Diz vários nomes de amigos, e das bonecas. Gosta muito de ver uns vídeos de bonecos "Cuquin" e todos os "bebés bonecos" lá de casa são chamados de "cucu" em homenagem ao "cuco" que ela vê na tv.
Também diz avó e avô. Xixi.
E já diz algumas frases. "A otubá está hum" [A Marta está a comer].
Canta muito. E já se consegue perceber mesmo qual é a canção que ela está a cantar. Adora uma dos dedos ["Dedo pai, dedo pai, onde está? Estou aqui, estou aqui. Como é que vai?" E por aí afora, correndo os familiares todos.]
"Upa" para se levantar. "Senta" para sentar. "Upa mãe, upa pai" diz ela quando estamos sentados e ela quer que vamos brincar com ela.
"Num tá" (Não está)
"Cucu".
"Olá".
"Xau".
"Não"
"Sim"
"É" (muitas vezes usado em vez de "sim")
"Eta" (esta)
"ó ó" (boneco que ela usa para dormir)
"Quer"
É uma linguagem muito própria, que mistura palavras inventadas com outras reais e ainda com outras que ela adapta.
Ocupar a nossa mente com outras coisas. Com histórias de gente.
Adoro quando um livro me deixa a pensar nele mesmo quando não estou a ler.
Comecei a leste este livro no fim de semana passado. Estou quase no fim.
Estou a gostar tanto.
Já tinha lido outros livros da autora, nomeadamente "A ilha" que está no meu top de livros preferidos de sempre.
Quando vi este no website do wook não consegui resistir.
E confirma-se: é também muito bom.
Sem querer adiantar muito, aquilo que me entusiasma no livro é a forma como ela insere uma história de personagens fictícias, na história real. Neste caso, ficamos a conhecer parte da história da Grécia durante a ocupação nazi da 2ª Guerra Mundial e de toda a instabilidade política, mudanças de regimes e guerras civis que foram acontecendo nos anos seguintes.
O livro prende-nos, porque conseguimos visualizar as personagens a passarem por todas aquelas situações. E aprende-se imenso.
Estou a adorar. E recomendo como uma das vossas leituras de verão.
[A miúda continua em isolamento, mas esta semana fica o pai com ela.]
No sábado à tarde, fui cortar o cabelo. Que bem que me soube aquele bocadinho de liberdade.
Depois fui comprar uns bolinhos para o lanche e voltei a ficar por casa.
Mas desta vez, a devorar este livro.
Estou a adorar.
No domingo de manhã lá fomos com ela fazer o teste COVID.
Acreditam que esta miúda de 2 anos nem uma lágrima, um grito, uma queixa durante o teste. Limitou-se a coçar o nariz no final. Até eu perguntei à enfermeira "mas já está?".
O resto do dia foi passado em casa, pois claro.
O resultado do teste veio já tarde: negativo. E assim hoje o pai já vai buscar a Maria. Que saudades tenho dela.
Hoje cá estou em trabalho presencial. E em contagem decrescente para as férias.