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Já tive medo de conduzir.

Muito medo.

A minha história com a condução é longa e “de doidos”.

 

Comecei a tirar a carta de condução no último ano do meu curso. Queria despachar ambas as coisas ao mesmo tempo.

Com o código, tudo OK.

 

As aulas de condução fiz no inverno. E com um instrutor que não me transmitia segurança nenhuma. Ia fazendo palavras cruzadas e de vez em quando proferia “ai Ana, Ana”. Muito bom, hã.

Ao fim das aulas obrigatórias, sugeriu que eu devia fazer mais 10. E eu fiz, claro.

 

Fiz exame de condução no dia 26 de Dezembro de 2001. Eu e outra senhora. O instrutor pediu-me que deixasse a outra senhora fazer o exame primeiro, pois já era repetente. Deixei. [O que me irrita, pois gosto de despachar logo o que há a despachar]. A outra senhora concluiu e passou. Fiz o exame de condução. Durante uma das manobras, atrapalhei-me lá com qualquer coisa. O MEU instrutor diz “É mesmo coisas à Ana”. O examinador disse-me apenas “Pare. O que quer fazer?” Eu parei. Pensei e fiz bem. Conclui o exame e passei.

 

Sem dinheiro para comprar carro. Sem pais com carro. Nunca mais conduzi desde esse dia.

 

Comprei carro em Setembro do ano 2003. Fiz uns treinos com amigos. Fiz uns treinos com irmão. Não conseguia conduzir sozinha.

Fiz aulas de condução para treino em Outubro de 2003. 5 aulas.

Não consegui na mesma conduzir sozinha.

E desisti.

 

Tinha um carro. Mas não o conduzia.

 

Em Junho de 2008 passei por uma crise pessoal chatinha. Que me deixou ir abaixo. E de repente senti que tinha que fazer algo por mim. Mas algo assim "á séria".

 

Fiz 10 aulas de condução. Com um instrutor espectacular. Que percebeu logo qual era o meu problema - falta de confiança.

E comecei a conduzir.

E já não parei mais.

A sensação de liberdade e superação que aquilo que me fazia sentir, fez-me sair daquela crise pessoal e sentir-me uma pessoa espectacular.

Ao início, ainda com muitos nervos. Planeava bem os caminhos, percursos para onde queria ir.

 

É verdade que mesmo hoje, há sítios e percursos que evito. Manobras que não gosto de fazer.

Mas vou a todo o lado onde preciso de ir.

Não vou mentir e dizer que “adoro conduzir”.

Mas gosto sobretudo de saber que superei o meu medo e fiz o que era preciso fazer.

 

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45 comentários

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De Anónimo a 08.11.2017 às 12:59

sofro desse síndrome há anos..mas já passei por um acidente que quase me desfigurava a face..

voltei a conduzir,,mas fico sempre em pânico se tiver que fazer ultrapassagens ou manobras mais perigosas,..

um horror
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De Ana a 08.11.2017 às 15:45

Isso já é mais complicado. Felizmente, o meu medo, não tinha razão de ser.
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De Anónimo a 08.11.2017 às 15:44

Conduzir num domingo de manhã, sem trânsito é sempre bom. No trânsito citadino é pior que trabalho.
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De Bruxa Mimi a 08.11.2017 às 16:22

Parabéns pelo destaque e parabéns por teres superado esse medo. Já noutros blogues escrevi, em comentários ao mesmo tema, que o meu medo de conduzir é gigantesco...
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De Anónimo a 08.11.2017 às 17:16

Eu continuo com o mesmo "problema" não consigo vencer o medo :( .
Posso perguntar quem era o instrutor/escola de condução?
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De Ana a 08.11.2017 às 17:19

A escola de condução era em Odivelas. O nome do instrutor não me lembro.
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De Anónimo a 08.11.2017 às 17:33

Desde já muitos parabéns, pois ao ler a sua história não consegui conter as lágrimas, pois passei exactamente pelo mesmo. tirei a minha carta em 2005 e tb não tinha carro e não tinha dinheiro para comprar, por isso foi adiando e foi crescendo o medo de conduzir, em 2015 fui mãe e com o nascimento da minha filha não tive outro remédio, tive que reaprender tudo, tenho a sorte de ter uma marido que sempre acreditou e foi ele o meu instrutor...
Tb não adoro conduzir mas estou muito feliz por ter superado este medo.
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De Ana Azevedo a 09.11.2017 às 09:30

Que bom. Ainda bem que também conseguiu superar isso.
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De P. P. a 08.11.2017 às 18:12

Olá, boa tarde.
Esta é uma temática que me diz muito. Fiz parte dos casos mais graves, com crises de ansiedade extremas... Mais de 20 anos com carta, sem conduzir.

Uma vez que estou numa das zonas atingidas pelos últimos incêndios, ainda sem internet, não consigo deixar aqui o link do post onde falo dessa fobia. Contudo, e porque nos casos mais graves (fobias) nem sempre é fácil identificar a causa, aqui deixo o caminho: http://insensato.pt
Em pesquisar, deve escrever-se Amaxofobia

Peço desculpa por indicar o caminho desta forma, mas no Android não sei copiar os links dos posts, confesso. Se alguém o conseguir pode adicionar ao comentário.

Obrigado e muita força para todos.
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De P. P. a 08.11.2017 às 18:16

http://insensato.pt/amaxofobia-o-que-e-causas-e-29036

Consegui!

Força.
Mesmo não gostando, conseguiremos
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De Ana Azevedo a 09.11.2017 às 09:32

Fiquei muito surpreendida com o impacto que este post teve. Não estava á espera de haver tanta gente com o mesmo problema.
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De P. P. a 09.11.2017 às 11:00

Felizmente, com o decorrer do tempo, as pessoas têm vindo a perder a vergonha de falar neste medo/fobia. Na década de 90 e mesmo na 1.a de 2000 quase parecia único, sobretudo a assumir a amaxofobia. Quantos anos de terapia sem resultado. E tudo feito há 1.a, sem ter dado todas as aulas, tamanha era a minha vontade de sair da escola de condução. No dia do exame prático, estava tão convicto que iria reprovar que quando ouvi o contrário, ohhh.
Passaram-se os anos e no momento fundamental, sei lá como, além de muita mentalização e 6 aulas com um instrutor fantástico consegui. Claro que não faço tudo e evito algumas situações, mas há bem piores do que nós que põem a vida deles e dos outros em risco!
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De Anónimo a 08.11.2017 às 19:41

Os instrutores de condução em Portugal são uma vergonha. Podem saber conduzir mas ensinar não sabem.
E as escolas de condução não se importam com isto porque sabem muito bem que lucram com os alunos que chumbam.
E mesmo assim há muito mau condutor que consegue passar à primeira e depois a sinistralidade rodoviária em Portugal é o que se vê.
O lobby das escolas de condução em Portugal tem demasiado poder. Nem sequer é permitido aprender a conduzir com amigos ou familiares como acontece noutros países da Europa e na América do Norte.
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De Ana Azevedo a 09.11.2017 às 09:33

Concordo. Há muito mau instrutor.
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De Anónimo a 08.11.2017 às 22:46

Parabéns pelo esforço, percebi que é uma pessoa corajosa e cheia de vontade, merece toda a sorte do mundo
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De Ana Azevedo a 09.11.2017 às 09:34

Obrigado pelo carinho.
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De José Carola a 08.11.2017 às 22:48

Parabéns pelo esforço, percebi que é uma pessoa corajosa e cheia de vontade, merece toda a sorte do mundo
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De Maria das Palavras a 08.11.2017 às 23:09

Compreendo perfeitamente. Aliás, tenho um post em rascunho eterno sobre o tema. É-me difícil admitir que não consigo fazer algo aparentemente (para tanta gente) tão simples, minimamente bem. Mas descobri há pouco que o que é preciso, como em tantos outros medos e situações, é tomarmos a decisão para nós mesmos. Decidir que está na hora de enfrentar o que seja para deixarmos de nos sentir limitados. Muito difícil, mas muito libertador.
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De Maria das Palavras a 08.11.2017 às 23:10

Ah, e muitos parabéns!!!!
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De Ana Azevedo a 09.11.2017 às 09:37

É mesmo isso. É tomarmos a decisão. Esse é o primeiro passo. E depois, acho também importante, planear. Estudar tudo, para minimizar o medo. Foi por aí que comecei. Estudando os caminhos. Mas também, logo no primeiro dia que levei o carro para o trabalho, enganei-me e fui parar a um bairro social. Mas isso é outra história, que também hei-de contar.
Força. Se quiseres, consegues.
E obrigado.

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  • Ana

    Obrigado, Anita. Beijinhos

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    Sim, felizmente. Obrigado, beijinhos.

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