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Cá coisas minhas

Este é o meu blog. Onde falo sobre múltiplas coisas. As coisas que me vêm a cabeça.

Notas soltas - diário 3

27.03.20 | Ana

A Marta fez 9 meses.

Fizemos um bolo para comemorar. Ela ainda não comeu.

No entanto, tem uma alimentação cada vez mais diversificada, pelo que (havendo paciência) irei aventurar-me com algumas coisinhas diferentes para ela. Depois dou feedback.

Faz já imensos sons. O que ela mais gosta é colocar um brinquedo na boca, e ir batendo enquanto faz som. É essa a sua gracinha mais recente. Não gatinha. Rebola apenas. Mas prefere estar sentada. Adora ver dançar e cantar. Imita.

A Maria está a ler muito bem. Finalmente, lê sem "tropeçar". Tem feito as atividades da escola, embora às vezes com alguma resistência. Felizmente a professora não mandou uma calendarização rígida de atividades, apenas a indicação de coisas a fazer (sem prazos). Se assim fosse, por aqui seria complicado. É também muito complicado para mim saber como lhe hei-de explicar as coisas, nomeadamente matemática. Eu aprendi de uma determinada forma. Mas agora, os métodos são outros.

Dança muito. Canta muito. Toma conta da irmã. Brinca com a irmã. Brinca com as suas bonecas. Faz vídeos. Vê youtubers. 

O meu marido está a trabalhar. A fábrica onde ele trabalha não para, e consequentemente ele também não. É horrível. Tem um medo enorme de trazer o vírus para casa. Tem mil cuidados. E mal se chega a nós. É duro.

Eu.

Ocupada com o trabalho. Ocupada com as miúdas. Ocupada com as refeições. Ocupada com a desinfestação constante de tudo. E farta disto. Procuro a via mais otimista de lidar com isto, e as ocupações constantes diárias não me deixam muito tempo livre para deprimir. Mas isto é muito duro, e sei lá durante mais quanto tempo vamos viver assim.

Dizem que isto nos vai fazer dar mais importância às pessoas. Aos afectos. A aprender a viver em colectivo, porque as nossas ações implicam sobre os outros.

Será? Ás vezes penso é que ainda vamos ficar mais isolados. Mais afastados. Reduzir ao máximo os nossos contactos, com medo. Nunca pensei que fôssemos viver algo semelhante a isto. Pensei que fosse algo do futuro. Eu tonta, por pensar que a nossa ciência, tão evoluída, teria meios para combater coisas destas. E agora, viu-se. Estamos a viver isto tudo. Aqui e agora. 

O futuro?

Que vamos aprendar algo com isto tudo, eu não duvido.

Que seremos muito diferentes daqui para a frente, também não duvido.

Resta saber se para melhor, se para pior.

2 comentários

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    Ana

    29.03.20

    Já tenho feridas nas mãos.
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