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Cá coisas minhas

Este é o meu blog. Onde falo sobre múltiplas coisas. As coisas que me vêm a cabeça.

Relato dos dias

01.04.20 | Ana

Fechadas em casa à 19 dias.

A Maria está de férias escolares. Já não trabalha todos os dias, mas tem algumas actividades escolares agendadas por mim. Instalei o tiktok no telemóvel que ela usa para ver youtube kids e jogar. Ela já me tinha pedido tantas vezes. Finalmente cedi. Vê com supervisão. E lá se vai divertindo com os desafios que lá surgem.

A Marta gosta cada vez mais de rebolar. Acaba por conseguir deslocar-se ao longo do seu espaço. Pega em brinquedos. Esforça-se para os conseguir alcançar. Tem dormido 2 sestas: manhã - de 30 minutos a 1h; tarde - de 1h a 2h30. 

A Maria e a Marta já brincam juntas, embora com as limitações próprias da diferença de idades. A Maria já dá comida à Marta. Corre lindamente. As duas ficam felizes. A Maria faz a Marta dar as gargalhadas melhores do mundo.

Eu tenho conseguido trabalhar. Estudar. Pesquisar. Durante as sestas da Marta, claro. Sinto que passo muito tempo na cozinha, seja a cozinhar, seja a arrumar/limpar. E a tratar da roupa. Faço muitas sopas - para nós, para a Marta. Hoje decidi fazer logo uma panela grande, igual para todos - só pus o azeite e sal, depois de tirar a dose da Marta. O dia passa a correr e eu chego sempre ao final do dia cansada. Tento ver uma série, mas em menos de 20 minutos estou a dormir. 

Ás vezes cantamos. Muito alto. E dançamos. Esta semana os dias estão "feios". Não temos conseguido ir ao quintal. Esta semana chorei, a primeira vez desde que isto começou - a ouvir o José Alberto Carvalho. A Maria tem orado todos os dias antes de dormir. Eu vou fazendo as minhas conversas comigo própria, e as minhas promessas.

Nos últimos dias, esta música não me sai da cabeça.

Ás vezes isto dói tanto, tanto, tanto... Não o ficar em casa - isso é o menos. É o que isto está a fazer. A morte. O sofrimento. O medo. O não saber como isto tudo vai acabar, quando vai acabar... 

São as gargalhadas das minhas filhas que me salvam [Embora os gritos delas muitas vezes me levem ao desespero]

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