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Saudades

por Ana, em 04.05.18

Semana 18: Sinto saudades…

 

Aviso 1: Só sinto saudades de coisas boas, que ficaram cá guardadas nas minhas memórias.

Aviso 2: Este post vai ser lamechas.

 

Sinto saudades das festinhas da minha avó. Das almôndegas, do empadão, das lulas com arroz de manteiga. Do bolo mármore. Dos pequenos almoços levados à cama. Dos lanches no café com as vizinhas. Das histórias que ela contava do tempo em que era nova. De a ver arranjar-se sempre que ia a Lisboa.

Sinto saudades de encostar o meu rosto no colo do meu avô quando jogava às escondidas com os meus irmãos. Dos gelados que ele nos dava. De ir comer caracóis ao Alves com ele e os meus irmãos e partilhar uma lata de sumol de laranja entre os três. Sinto saudades da voz do meu avô.

Sinto saudades de brincar à apanhada na rua. De jogar jogos de tabuleiro nas escadas dos prédios lá da rua. Da casinha de bonecas que existia no jardim da quinta da Rita.

Das férias na Aroeira, com a minha melhor amiga Carla. Dos fins de semana que passávamos juntas em casa dela. De brincar com ela em minha casa, experimentando a maquilhagem toda da minha mãe.

Sinto saudades de ir à jantar à Feira Popular com os colegas da Secundária. Sinto saudades dos fins de semana prolongados em Viana do Castelo - com o Paulo, a Mónica, o Ricardo, a Carina, a Sara, a Boleo, o Alexandre, e outros que as vezes se juntavam. Sinto saudades das tardes em que íamos todos ao cinema às Amoreiras. E passávamos lá a tarde. De subir a pé até lá acima. E voltar para casa no 101. Sinto saudades de quando íamos todos a pé para a escola, parando à vez em cada sitio e ver chegar mais um: primeiro a Sandra, depois o Jorge e o Hugo, o Dani e o Luis, depois a Susana e as vezes o Alexandre, e depois o Ricardo.

Sinto saudades das vizinhas lá do pátio.

Sinto saudades das filas intermináveis para entrar nas piscinas e lá passar o dia.

Sinto saudades das idas com os avós a Viseu.

Sinto saudades dos tempos em que julgava que aqueles amigos eram para a vida toda.

Sinto saudades do tempo em que eu era apenas eu.

Sinto saudades dos pequenos almoços em Belém com as colegas da faculdade: a Sílvia e a Ana.

Sinto saudades dos dias em que comecei a namorar com o meu marido. Das borboletas que tudo aquilo me dava. Sinto saudades de percorrer Paris de uma ponta a outra com ele. De festejar nas ruas de Paris, os dois, a passagem de ano.

Sinto saudades de ver a minha menina pequenina. Do cheiro de bebé dela.

 

Sinto saudades do tudo o que me fez bem.

 

 

 

 

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Memórias de 6ª feiras

por Ana, em 12.01.18

Hoje de manhã, ao ouvir o Programa das Manhãs, da Rádio Comercial, lembrei-me do meu avô.

O meu avô não sabia ler.

E, por esse motivo, às vezes pedia umas coisas chatinhas.

Por exemplo: às vezes (felizmente, não sempre), pedia-me para lhe ler as legendas daquilo que estava a passar na tv.

Mas a "coisinha" mais chata acontecia todas as 6ª feiras.

Dia de "fazer" o totoloto e o totobola.

No totoloto, a coisa até se processava com alguma calma.

O meu avô preenchia 2 quadrados e eu outros 2. Os dele eram feitos do seguinte modo: ele é que me dizia os números e eu fazia as cruzes. Aquilo demorava algum tempo. Porque ele pensava/reflectia durante vários minutos quais os números que queria. Eu, quando chegava a minha vez, despachava aquilo ao calhas.

Agora, o totobola, senhores... Isso é que eu lembro como sendo uma verdadeira seca.

Como referi de início, o meu avô não sabia ler. 

Então, EU lia cada um dos confrontos e aguardava pacientemente (mas passadinha de tédio) que ele dissesse ou 1 ou X ou 2.

Isto até me podia ter feito gostar de futebol. Mas não.

E depois passávamos à seca seguinte: ir à papelaria entregar os boletins e aguardar nas filas intermináveis.

 

[Lembro-me de achar estas coisas todas uma valente "seca". Mas agora até as recordo com saudade]

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Sempre fui muito realista

por Ana, em 14.12.17

A minha irmã tem menos 5 anos do que eu.

Um Natal..

[Não me lembro bem da nossa idade. Talvez eu pouco mais de 10 e ela menos 5]

Escrevia eu,

Um Natal, íamos a passear num centro comercial lá perto da nossa casa (as duas sozinhas, que isto antigamente podia andar-se a passear assim sem adultos) e o "Pai Natal" deu-nos rebuçados.

Não comi.

Não deixei a minha irmã comer.

"Porquê?", dizia ela.

"Porque não se aceita coisas de estranhos", respondo eu.

E ela, coitada "Mas é o Pai Natal"

E eu reforcei "Não se aceita coisas de estranhos"

Não comi.

E ela também não os comeu.

 

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Passado no Presente

por Ana, em 25.11.17

Procuramos sempre aquilo que nos faz feliz. Temos, na nossa história, as nossas memórias. Um cheiro que nos recorda algo, faz-me inspirar bem forte. Viver um hábito de alguém que nos fez tão feliz, relembra-me de quem sou. Cozinhar um prato que alguém fazia na perfeição, enche-me de saudade boa. Saber que esse prato vai fazer a minha miúda feliz, deixa-me tranquila e cheia de amor.

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Dia Mundial da TV

por Ana, em 21.11.17

Depois de ouvir as Manhãs da Comercial hoje, impossivel não ir buscar estas memórias.

Umas muito antigos. Outras já dos anos 90. E outras já mais recentes.

As coisas que eu mais gostei de ver na TV.

Beverly Hills

Macgyver

Tom Sayer

Ursinhos Carinhosos

Tartarugas Ninja

Marés Vivas

Prince of Bel Air

Roque Santeiro

Tieta

Médico de Família

Sassaricando

Felicidade

Agora Escolha

Clube Amigos Disney

Jogos Sem Fronteiras

Hospital Central

Riscos

Downton Abby

Achas que sabes dançar?

Conta-me

Sexo e a Cidade

Duarte e Companhia

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24-07-2010

por Ana, em 24.07.17

Faz hoje 7 anos e fomos os dois, sozinhos, casar.

Casamos porque sim. Porque um dia estávamos a fazer o jantar e dissemos: "e se casássemos".

Não dissemos nada a ninguém.

Não tivemos testemunhas.

Não tiramos fotos.

Foi num sábado. No dia seguinte, fiz anos. E quando as pessoas me ligavam a dar os parabéns, eu informei que nos tínhamos casado.

Passamos o fim de semana fora.

Na segunda feira, fomos trabalhar. E alguém me disse “Mas não tiraram fotos? Assim ficam sem nenhuma recordação para falar, reviver, mostrar.

E eu, na minha “arrogância” de quem fez aquilo que lhe apetece, disse “não precisamos”. E de facto, não precisamos. Temos o dia registado nas nossas mentes.

Mas hoje, vinha no carro e pensei: Sim, realmente não tenho fotos. Não tenho testemunhas. Mas tenho história. E é essa história que eu vou sempre recordar. Que vamos sempre recordar.

No dia 24 de julho de 2010, sábado. Acordámos, vestimo-nos e fomos até à Conservatória do Registo Civil, marcado para as 10h30. Quem nos casou foi uma senhora. Dissemos os nossos votos. Eu enganei-me no teu nome (no primeiro nome, vejam só). Trocamos as alianças. A porta aberta, porque a lei assim o manda. Um barulho infernal lá fora. [O outro casamento trazia muita gente]. Fomos declarados marido e mulher. E voltamos para o nosso carro. Fomos ao café comer qualquer coisa, e “fizemos-nos à estrada”, para a nossa noite de núpcias/lua de mel/fim de semana fora/meu aniversário.

Foi só isto. Mas foi o nosso momento. Não precisamos de testemunhas. Não queríamos uma grande festa (nem grande, nem pequena). Foi uma decisão nossa. E toda a gente viveu bem com isso.

Estamos casados a 7 anos. Estamos juntos à 8 anos. 4 sozinhos e mais 4 com a nossa miúda.

És meu amigo. Meu namorado. Meu marido. O pai da minha filha. Meu companheiro.

Fazes-me rir às gargalhadas. Enervas-me tantas e tantas vezes.

Conheces-me tão bem, e ao mesmo tempo tão mal [mas haverá algum homem que saiba sempre o que a sua mulher pensa, quer e sente?].

Estamos juntos. E assim permaneceremos enquanto ambos o quisermos. [Analisando agora, será para sempre]

 

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Os Amigos do Gaspar

por Ana, em 03.06.17

Quem se lembra de ver isto?

 

Lembro de ver isto ao fim de semana perto da hora de almoço e de não gostar. Irritava-me. Não sei porquê. Mas nunca mais me esqueci destes bonecos e de ouvir “soio toio”. É irritante. Mas inesquecível.

 

PS.: Se escreverem estas palavras (soio toio) no youtube, vão ter a estes vídeos.

 

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Brincadeiras de irmãos

por Ana, em 31.05.17

Uma vez que se celebra hoje o dia dos irmãos, faz todo o sentido recordar algumas das nossas vivências.

Lembrei-me de algumas peripécias que já vivemos, mas sinceramente falta-me a coragem para expor maior parte delas.

De qualquer das formas, lembro-me de algumas com um sorriso nos lábios.

Como por exemplo, de algumas das nossas brincadeiras.

Às escolas

No pátio da minha avó, já ao pé das hortas, havia um barracão com porta de alumínio (ou algo do género), onde era possível escrever a giz e apagar, e voltar a escrever. Então, eu que sempre gostei muito de fazer as coisas à minha maneira, era a professora e os meus irmãos os alunos. A minha avó tinha umas cadeirinhas pequeninas, onde costumava se sentar no pátio a conversar com as vizinhas, e nós usávamos essas cadeiras para os “alunos” se sentarem. Lembro-me de levar aquela brincadeira muito a sério, e de até criar testes para eles fazerem e eu depois corrigia os mesmos com caneta vermelha e tudo.

Ao carteiro

Eu escolhia um ponto no pátio, onde era a minha casa. A minha irmã escolhia outro ponto para ser a casa dela. E o meu irmão era o carteiro. Era só isto. Ele andava de um lado para o outro a levar-nos “cartas”.

Uma outra coisa que está muito gravada na minha mente, é uma “aventura” que eu e o meu irmão tivemos [ou então não].

A questão é que eu não tenho mesmo a certeza se foi um sonho ou se aconteceu mesmo. Sei que foi à muito tempo. A minha irmã (por circunstâncias que não vale a pena agora referir), passava muito tempo internada no Hospital D. Estefânia, e a minha mãe por conseguinte também. Nós podíamos estar com ela, na hora das visitas. Mas quando éramos mais pequenos, julgo que nem sequer podíamos entrar, porque me lembro de ser a minha mãe a sair cá para fora com a minha irmã, para a sala de espera, para podermos estar ali os três juntos. O que acontecia, é que quando eu e o meu irmão íamos, depois tínhamos de ficar lá na salinha de espera à espera (desculpem a redundância) da minha mãe, porque ela ficava o tempo todo que era possível ficar com a minha irmã.

Ora,  foi num desses dias que terá acontecido esta aventura. Tenho a ideia que encontramos por lá um rapazinho, que nos desafiou a ir com ele “explorar” o hospital. E lá andamos nós pelos corredores, salas e caminhos onde não era suposto estarmos. Às tantas, perdemo-nos e não sabíamos como voltar para o sítio onde deveríamos estar. Acabamos por conseguir encontrar o caminho e regressar ao sítio de onde nunca deveríamos ter saído.

Se isto realmente aconteceu, a minha mãe nunca chegou a saber. É por isso que isto anda aqui na minha memória de forma tão dúbia. Porque é muito caricato, 2 crianças com menos de 10 anos andarem por ali assim. É estranho.

 

[Quando me lembro destas coisas todas, e de mais e mais, chego sempre à conclusão que a melhor “coisa” que eu podia dar à minha filha era um irmão. Talvez, um dia.]

 

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José

por Ana, em 26.05.17

Era o seu nome. Mas não era assim que era conhecido. “Zé Flamor”. Não sei o porquê, nem de onde veio a alcunha. Mas era assim que era conhecido. Um homem alto, e bem bonito, quando ainda era jovem. Já só o conheci velhote. O meu avô. Uma pessoa que se notava quando estava presente. Voz alta. Posição altiva. Muito amigo. A gostar de participar em eventos sociais e familiares, mas de preferência em posição de liderança, mesmo quando não organizado por ele, no espaço dele. Falava muito. Tinha inúmeras histórias para contar. Não sei se eram todas verdadeiras. Deixava-me a mim e aos meus irmãos comer gelados. Mas dos baratinhos. As vezes pedíamos-lhe um corneto. Não me lembro se alguma vez deixou. Levava-nos a comer caracóis ao Alves. Uma garrafinha de sumol de laranja para os três (eu, e os meus irmãos). Era “chatinho” com a horta e com os animais. Pedia-nos ajuda, mas aquilo era quase uma ordem. Nós éramos pequeninos, e cabíamos no galinheiro, podíamos limpar. Fez-me passear por Odivelas, com uma ovelha e um borrego [A Boneca e o Chico]. Andava a pastorear e nós íamos com ele. [Eu detestava aquilo, e morria de vergonha de que algum colega da escola me visse]. Pior. Fez-nos ganhar afectos aos bichos, e um dia matou-os para serem comidos. Ainda me lembro de entrar no barracão e ver os animais mortos, cortados e pendurados. Ia connosco ao parque dos bombeiros, porque a minha irmã era mais nova e não tinha idade para entrar sem adulto. Dava o colo para escondermos a cara, quando jogávamos a escondidas e ajudava os outros dois com esconderijos. Ria-se sempre nestes momentos. Ralhava connosco a hora de almoço, porque fazíamos muito barulho e não o deixávamos ver as notícias. Via o jogo de futebol na tv e ao mesmo tempo ouvia o relato na telefonia. Adormecia enquanto isto acontecia, e quando eu ia mudar de canal, acordava. Falava sozinho, muitas vezes. Era “pica-miolos”, com os outros, porque ele tinha sempre razão. Comprou-me um pc, quando eu ainda nem sabia o que era um pc. Ao serão, queria que eu jogasse as cartas com ele. Ou ao dominó. As vezes não me apetecia, mas joguei sempre. As 6ª feiras, amuava comigo quando eu não lhe fazia o totoloto. Ouvia a grelha do totobola que eu lhe lia, e dizia 1, ou X ou 2 [ele não sabia ler]. Todas as manhãs, bem cedinho, ligava a telefonia ainda na cama e ouvia o António Sala. Eu acordava sempre com aquele barulho de fundo. Queria muito que eu fosse “alguém na vida”, que estudasse. Ele já não ficou cá para ver, mas eu tentei sempre fazer por isso.

Já se foi embora a mais de 20 anos. E só esteve comigo 17. Mas o impacto que teve na minha vida, esse é marcante e inesquecível. Saudades.

 

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Foi durante o ensino secundário que criei grande parte dos meus laços de amizade. Laços que julguei que ficariam para sempre. Afinal não ficaram. Quer dizer, eles ficaram. Porque o sentimento está lá. Mas a vivência desses laços foi-se dissipando. E não foi a chegada à vida adulta que fez isso. Porque eles foram ficando, mesmo depois disso. Foi a vida de cada um de nós que nos afastou. Cada um foi viver para um sítio diferente. Cada um foi trabalhar para um sítio diferente. E se antes de casarmos e/ou termos filhos, ainda conseguíamos manter isso, com os casamentos, com os filhos, com todos os compromissos pessoais e profissionais com que vamos enchendo as nossas agendas, o tempo para estarmos uns com os outros foi escasseando. Porque deixamos de definir isso como prioritário.

 

Confesso que sinto falta. Mas confesso também que nada faço para alterar isso. Porque lá está, estou sempre a adiar, face a tudo aquilo que vou definindo como prioritário.

 

No entanto, algum contacto vai surgindo. Seja pelas conversas on-line, seja por telefone. [Há uma dessas pessoas, que contraria essa tendência. E que me liga de vez em quando. E que não “cobra” a falta de notícias. É por isso que gosto tanto dele, e acho que este sim, vai ficar para sempre] E é quando surgem estes momentos, que me esqueço que já tenho mais de 35 anos, um trabalho, um marido, uma filha, uma casa para gerir. E me lembro de quando éramos só nós todos. Das coisas que fazíamos. Daquilo que nos fazia rir. Dos fins de semana prolongados que fazíamos questão em marcar juntos. Mas o que gosto mesmo é de me sentir assim, mas a partilhar o presente.

 

Tenho efectivamente muita pena, que não seja possível vivermos a vida de agora, uns com os outros. E não falo de encontros sazonais, porque o que se faz nesses encontros é reviver o passado. Gostava mesmo de tê-los ainda aqui no meu dia a dia. Saber das coisas deles, partilhar as minhas coisas.

 

Ainda o consigo fazer com um. Gostaria de o fazer com pelo menos mais três. Mas pronto, a vida é assim. E não há culpados aqui. Todos nós temos feito as nossas opções. E eu sei, que o casulo onde me meto às vezes, é difícil de lá conseguir entrar.

 

[Nem preciso de dizer nomes. Porque se este post for lido por algum de vós, claramente perceberá de quem eu falo. E não são reclamações. São constatações]

 

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