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Sobre o fim de semana que já foi

por Ana, em 08.10.18

Finalmente o descanso.

Foi o que aconteceu este fim de semana.

Não é que tenham sido propriamente três dias de papo para o ar.

Mas a certeza de que as incertezas estavam resolvidas, permitiram-me finalmente desligar.

 

Os meus níveis de irritação estavam no máximo.

Tenho feito um esforço para parar.

Aliás, até para parar antes de falar.

 

Um jantar de amigas.

Horas de leitura.

"Destralhanço" de roupa.

Limpeza de algumas divisões que já estavam a acumular muita tralha.

Idas ao supermercado em família.

Esplanada na praia.

Jantar com amigos.

E ainda uma ida á FIL.

 

Não consegui deixar a semana toda organizada.

No entanto, se isso me deixa a semana mais descansada, também é certo que às vezes parece que passo o fim de semana a preparar a semana.

 

Hoje, sinto uma falta de energia, ou sono, ou então estou só a ficar doente.

Não sei.

Mas também sei que: não tenho corrido, nem caminhado, nem treinado e a alimentação também ando muito a desejar.

Tenho que corrigir isto.

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Não sei se é deste Outono peixe-espada (chato e comprido), mas hoje o que me está mesmo a apetecer é uma caneca de café e uma fatia de bolo acabadinho de fazer.

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Sobre o Sr. Bruno...

por Ana, em 09.04.18

Pouco ou nada percebo de futebol.

Aliás, pouco ou nada me interesso sobre o futebol.

Mas...

Sobre os últimos desenvolvimentos, a minha preocupação é a senhora sua esposa.

Como, é que aquela senhora consegue ir comprar pão?

Ir ao supermercado?

Fazer a vida dela, ao fim e ao cabo.

A vergonha....

Não se faz.

Não se faz.

 

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Pois, o Dia de São Valentim passou e eu nada escrevi sobre o assunto.

Nada de novo, visto que não tenho por hábito escrever sobre tudo e sobre todos os dias.

 

No entanto, estes dias de férias relembrei algumas coisas.

Nomeadamente, a forma como o Amor surgiu na minha vida.

 

É o que temos feito não é?

 

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No outro dia a minha filha brincava no parque com uma menina da idade dela. Estavam ambas sentadas e a mãe da outra estava lá ao pé. Eu estava ligeiramente afastada, deixando-a brincar e conversar.

Primeiro, critiquei mentalmente a outra mãe. Pensei, “mas que mania que têm os adultos de se meteram no meio das crianças, assim nunca estão os miúdos totalmente à vontade para fazer novas amizades”. Tão errada que eu estava.

Passado um bocado, vi um aparelho daqueles que ajudam as crianças a andar lá encostado.

Uma outra miúda foi ter com elas e insistiu para que fossem brincar à apanhada. A minha levantou-se logo. De seguida, a mãe ajudou a outra menina a levantar-se. A minha primeiro disse “não consegues andar ou quê?”. A mãe, calmamente explicou que a “x” precisava daquilo para conseguir andar. A minha filha ouviu em silêncio e no minuto seguinte, já estavam as duas a correr e a jogar à apanhada. Gargalhadas daquelas mesmo boas. Não falou mais no assunto. No final da brincadeira, despediu-se dela, como sempre faz. A outra deu-lhe um abraço mesmo apertado.

E eu pus-me a pensar. A facilidade com que as crianças desta idade lidam com a diferença, é impressionante. Querem lá saber. Elas não sentem diferente. Elas brincam de igual forma. Riem das mesmas coisas.

Porque é que depois a diferença começa a ser notada e falada? Onde é que algures na nossa vida perdemos esta capacidade?

Não tenho dúvida nenhuma que são igualmente pessoas como aquela mãe, que fazem a diferença. Que não privam a filha de nada. Que a educam exactamente nos mesmos princípios que nós educamos os nossos. E que têm esta tranquilidade em explicar às outras crianças algo de forma tão natural.

A minha irmã teve vários e sérios problemas com a fala. Nunca fiz questão de intervir quando ela falava e não a entendiam. Sempre fiquei calada, à espera que ela se fizesse entender. Sempre foi muito social e despachada. A minha mãe sempre a deixou andar à solta e a incentivou à vida social. Hoje tem muito mais vida social do que eu.

Há cerca de uns 2 anos, descobri na creche da minha filha uma criança com as mesmas dificuldades. Um dia a mãe no meio de uma conversa diz-me “ele tem problemas”. Saí nesse dia de lá numa revolta que só visto. Problemas tem certamente a senhora. E aquele miúdo com aquela mãe também os terá. Mas não os que ela julga que ele tem.

Nesta creche onde ela está agora, está lá uma menina com síndrome de down. Se a minha filha nota alguma coisa de diferente naquela menina? Não. Perfeitamente autónoma e a fazer as mesmas coisas que os outros. Lá está, mais uma vez porque tem uns pais que incentivam isso mesmo.

A minha filha brinca diariamente com crianças com diferentes cores de pele. Com pais de diferentes países. Com culturas diferentes. Umas com cabelo louro. Outras castanho. Umas com óculos. Outras sem eles. Mas todas correm. Todas riem. Todas brincam. Todas fazem plasticinas. Todas cantam músicas. Todas fazem birras. Todas choram. Todas são diferentes e todas são iguais.

Volto a dizer. Não sei onde perdemos esta capacidade e quando começamos a complicar o que não tem complicação. Mas gostava muito que ela se mantivesse assim. Farei o que conseguir para isso.

 

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Eduardo Sá deu uma entrevista na redacção do observador, que foi muito mais do que isso. Foi no fundo uma conversa, aberta a muitos.

A entrevista é longa e passa pelos mais diversos assuntos: comportamento das crianças, comportamento dos pais, autonomia, vacinas, adolescência, internet, educação, etc. Gostei muito de o ouvir, mas obviamente que não consegui prestar muita atenção a tudo o que foi dito.

No entanto, algumas das coisas que disse, merecem para mim um especial destaque.

Eu costumo dizer que os bons pais, e sublinhe-se bons, têm três qualidades ou três defeitos consoante a perspetiva que queiram colocar. Têm, invariavelmente, coração grande. Têm a cabeça quente, o que significa que as boas pessoas têm obrigatoriamente mau feitio e falam de mais.

 

Isto foi logo ao início. Começa tão bem. É por isso que eu gosto tanto de o ouvir e ler. Desmistifica tudo. Simplifica o complicado, complicando tudo, simplificando tudo. [Fiquei muito contente, por haver alguém que dê valor a estas minhas características. ]

Os pais saudáveis têm de ter o quanto baste de autoridade. Mas a autoridade é um exercício de sabedoria, de bondade e de sentido de justiça, que faz com que um pai e uma mãe digam: “Não, porque que eu, convictamente, acho que não.”. Quem é que inventou que nós temos de explicar os nãos aos nossos filhos como se fosse um decreto? “Porque que é que tu tens de comer a sopa?” Alinea a)… É como se os pais estivessem a dizer que não e, no fim, estivessem a perguntar aos filhos: “Estive bem?”. E depois, têm de promover a autonomia dos filhos. Se os pais pegarem nestes três condimentos, não estragam os filhos. Nós educamos com bons exemplos, não é com bons conselhos. A autoridade resulta das experiências de todos os dias e, portanto, o que é que os filhos precisam mais?

 

Lá está. O “não, porque não e ponto final” é importante. Não temos que negociar tudo. Não temos que explicar tudo. Somos nós os adultos que sabemos o que é o certo e o errado. E os nossos filhos têm que sentir essa confiança em nós. Têm muitas vezes que ser capazes de o fazer sozinhos, de decidir sozinhos. Mas têm que saber, que se “houver” problema, o pai e a mãe estão lá. Mas é o pai e a mãe, que com essa autoridade, promovem a confiança. E é essa confiança que os torna autónomos. “Nós educamos com bons exemplos, não é com bons conselhos.” É tão isto. E isto é daquelas coisas que é tão óbvia, que parece difícil. Mas depois tu olhas e pensas que não é nada difícil, mas afinal até é. [E é isto que é ser pai/mãe. Sabemos como devemos fazer, mas tantas vezes não o fazemos. Mas não somos perfeitos, nem temos que ser perfeitos]

Se pudesse mandar um bocadinho, quase reabilitava a obrigação de as crianças comerem o queque a meio do recreio sem lavarem as mãos. (...) Crianças saudáveis têm obrigatoriamente de se sujar. (...) E partir pernas de vez em quando. Por uma razão simples. Nós estamos a produzir crianças tão bacteriologiamente puras que, de repente, nunca houve tantas situações imunoalergológicas como existem.

 

Esta fez lembrar-me uma amiga minha. Parecia dito por ela. [Essa é “outra”, que me ajuda tantas vezes a simplificar. A sua forma de estar, aliada a mais experiência que tem do que eu, fez com que hoje passasse a relativizar muito mais as coisas. Obrigado I.]

Era muito bom que os pais percebessem que a raiva é um ansiolítico e um antidepressivo do melhor que há. Quando nós perdemos, cerramos os dentes e dizemos assim: “Macacos me mordam se eu não vou lá para ganhar a seguir”. Isto é dos melhores fatores de crescimento das crianças, ao qual nós nem sempre abrimos a porta, porque temos medo que os nossos filhos sempre que estão um bocadinho tristes — mesmo quando são demagógicos –, isso os possa traumatizar. Não traumatiza. Eu não sei quem é que inventou esta ideia de que as crianças saudáveis não podem estar tristes, mas nós devíamos ser claros: nós nunca aprendemos a ser felizes se não aprendermos a viver com a tristeza. A tristeza é mesmo o melhor antidepressivo do mundo.

 

Pois é. Eles têm que começar logo a saber o que é a frustração. A tristeza. O “não ser tudo como eles gostariam que fosse”. Faz parte. A vida real é assim. E qual é o problema de chorar. Chorem. É assim que eles vão aprendendo a gerir as suas emoções.

“Costumo pedir — era engraçado que tivesse o logótipo do Observador por baixo — que à entrada dos jardins de infância houvesse um letreiro muito grande a dizer assim: “É proibido ensinar a ler e a escrever no jardim de infância”. Não é por vontade das educadoras — as educadoras são um enclave de saúde mental que existe no sistema educativo –, mas é pela pressão das escolas e, às vezes, pela pressão dos pais. É bom que nós tenhamos uma regra….”

 

Isto é um mal que vem desde á muito. Cada vez querem por os miúdos a fazerem as coisas mais cedo, quando eles ainda nem sequer percebem o que estão a fazer. Há tanta coisas que eles têm que aprender antes de aprenderem a ler e a escrever.

“As crianças saudáveis aprendem do todo para a parte. A escola ensina-os da parte para o todo. As crianças, quando lêem um texto, ou vêem um quadro, interpretam primeiro e lêem depois, ou se preferir, interpretam em tempo real. O que é que a escola faz? Exatamente o contrário.”

 

Eu também, já fiz o contrário muitas vezes. E no outro dia, apercebi-me exatamente disso. Quando a miúda pede para ler uma história antes de dormir. Eu só quero despachar aquilo: ler a história para ela ir dormir e pronto. E ela, às vezes, nem ouve o que eu estou a ler, porque quer fazer perguntas, quer questionar, já está a interpretar e eu erradamente a dizer, “ouve a história e já vais perceber”. Não estou assim tão errada. Isto é gerível, eu sei. As vezes é que a paciência se esgota, e eu atropelo-me toda. Ela tem que saber esperar pelas várias etapas da história e viver as mesmas. Mas também tem toda a legitimidade para fazer perguntas e interpretar a história à maneira dela. Acho delicioso que ela me pergunte, ao ouvir a história do capuchinho vermelho, “mas porque é que a mãe não foi com ela”.

Está na altura do Ministério da Educação, e já agora do sr. Presidente da República, que pode fazer um pacto de regime… eu não entendo o que é que tem de supérfluo os vários partidos sentarem-se com quem tem pensado a educação ao longo dos tempos e dizerem assim: “O que é que nós queremos da educação nos próximos 20 anos?”. Porque é que isto é atentatório daquilo que separa as opções ideológicas das pessoas? Não é. Nós temos porventura um modelo escolar que tem muito de século XIX, muitos professores que ainda estão muito mais do que eles desejariam no século XX e as crianças estão no século XIX. Como é que a educação pode funcionar assim, de maneira a que se adeque aos tempos que correm? Não se adequa. Se calhar há aqui muitos jovens jornalistas que quando chegam não são jovens jornalistas, são aristocratas. E nós dizemos assim: “Olhe, faça isso” e eles dizem assim: “Porque é que eu não fiz? Porque não me disse exatamente como é que eu havia de fazer”. O que é que se ganha com isto?

 

Isto é tudo um assunto, para o qual terei que dedicar um post inteiro. Refiro, desde já, que concordo em absoluto com o que disse.

“Se o Estado entende que as crianças têm de entrar no ensino obrigatório, e quando não vão à escola aos seis e aos sete, acendem-se não sei quantos alarmes e as crianças são consideradas em perigo, juro que não entendo como há pais a não vacinar os filhos, que os expõem a perigos em consequência disso, que põem os outros em perigo por causa das opções muito duvidosas que eles têm e que isto não tenha consequências.”

 

Pois lá está. Mais um a argumentar o óbvio. Parece óbvio para tanta gente. Não sei como não se faz nada. [Já falei deste assunto aqui no blog, por isso não me adianto mais]

Estas foram algumas das coisas que me chamaram mais atenção. Se tiverem oportunidade, dêem uma vista de olhos à entrevista. Vale a pena.






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Também tenho que falar disto

por Ana, em 20.04.17

Custa-me falar deste assunto, porque a dor que aqueles pais estão a sentir será demasiada, para ser enxovalhada como tem sido.

Depressa vieram as ofensas, as acusações. “Os cavaleiros da verdade”, cheios das suas sabedorias.

Sei, que seja porque motivo for, qualquer pai que decide não vacinar os filhos, o faz por achar que é a melhor opção para os seus filhos. Não concordo. E não vou dizer que aceito, porque também não é verdade.

As opções que cada um toma relativamente aos seus filhos, só a eles diz respeito, é certo. Mas no que diz respeito a este assunto, não diz respeito só a eles. Porque estão inseridos numa comunidade, e isto é o tipo de coisas que também afecta os outros. E de que maneira.

Há quem opte pela não vacinação, porque escolhem (segundo os próprios) uma alternativa de vida mais saudável, pura e limpa. Mas também há aqueles que, por uma reacção adversa de uma vacina, ficam com medo de outras reacções e não vacinam mais. Má informação. É a base disto. Correntes alternativas a divulgarem ideias falsas e perigosas. Pessoas aflitas, sem acesso a informação de qualidade, que as faz tomar decisões deste género.

É impressionante, como nos dias que correm, com a informação toda que há, se façam coisas deste género. Mas lá está, o perigo também está no excesso de informação. Porque hoje em dia, toda a gente sabe tudo. Toda a gente vai ao google e tem acesso a tudo. E depois, decidem por eles próprios. Não é esse o fim do desenvolvimento da informação, mas é o perigo que está lado a lado com ela.

A ciência tem evoluído muito. E com certeza vai evoluir mais. Doenças do passado que matavam, estão erradicadas dos dias de hoje. E porquê? Porque, graças à ciência, tomamos vacinas, tomamos antibióticos. Temos produtos mais processados? Temos. Mas se aí, faz sentido escolhermos e optarmos por aquilo que é mais favorável ao nosso organismo, há outras coisas com as quais as decisões não podem ser assim tão ligeiras. Pior ainda quando são coisas que não nos afectam só a nós, mas também os outros. Lá está, a nossa liberdade termina, quando começa o espaço do outro.

Posto isto, defendo a vacinação. E defendo, que nenhuma criança que não esteja vacinada, possa se inscrever numa creche, colégio, escola pública, jardim de infância, etc. Há coisas que têm que ser obrigatórias. Tudo o que diz respeito à vida, tem que ser obrigatório. E esta obrigatoriedade, vai fazer com que aqueles pais que optam pela não vacinação, tenham acesso a informação factual e de qualidade.

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    Lindo ;)O melhor que temos sem dúvida!

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    O melhor do mundo são mesmo os nossos filhos

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